Vinte profissionais de saúde iniciaram, no Complexo Hospitalar Pedro Maria Tonha “Pedalé”, em Luanda, uma formação especializada em Neurofisiologia Clínica, com duração de 12 meses, para reforçar o diagnóstico e o acompanhamento de pacientes com doenças neurológicas.
A formação, que é promovida pelo Ministério da Saúde, com financiamento do Banco Mundial, teve o seu segundo dia hoje.
Neste dia, os trabalhos prosseguiram com a participação dos especialistas brasileiros Bruno Gumiero, neurologista, e Fernando Prado da Silva, especialista em monitorização neurofisiológica intra-operatória, que se juntaram à equipa de formadores para reforçar a componente científica e técnica.
Promovida pelo Ministério da Saúde, através da Unidade de Implementação do Projecto (UIP), no âmbito do Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde (PFRHS), a capacitação integra os esforços de desenvolvimento de competências especializadas no Sistema Nacional de Saúde.
Formação abrange diferentes técnicas de diagnóstico
O programa inclui conteúdos de electroencefalografia, electroneuromiografia, polissonografia, potenciais evocados auditivos e visuais e monitorização neurofisiológica intra-operatória.
Estas técnicas permitem estudar a actividade eléctrica cerebral, avaliar o funcionamento dos nervos periféricos, investigar alterações relacionadas com o sono e analisar determinadas funções do sistema nervoso. A monitorização neurofisiológica intra-operatória permite acompanhar funções neurológicas durante procedimentos cirúrgicos seleccionados.
Em paralelo, decorre um programa de subespecialização em Neurofisiologia Clínica, com duração prevista de 18 meses, destinado a médicos especialistas em Neurologia. O percurso contempla uma componente formativa em Angola e outra na República Federativa do Brasil.
A coordenação da componente prática está a cargo do neurologista Bétuel Helena, que reconheceu os desafios inerentes à implementação da formação, mas destacou o interesse demonstrado pelos participantes.
“Não será fácil, mas vamos tentar organizar-nos para atingir o nosso objectivo”, afirmou, acrescentando que a equipa pretende criar condições para que os formandos concluam a capacitação com o melhor aproveitamento possível.
Um dos constrangimentos identificados nesta fase diz respeito à indisponibilidade do equipamento específico necessário para a realização integral de determinados procedimentos práticos de monitorização neurofisiológica intra-operatória.
Participantes esperam melhorar assistência aos pacientes
Entre os participantes, as expectativas centram-se na aquisição de competências que permitam aperfeiçoar a avaliação clínica, o acompanhamento dos pacientes e a prevenção de sequelas associadas a doenças neurológicas.
Ana Bela Córi, fisioterapeuta do Hospital Geral Reverendo Guilherme Pereira Inglês, considerou a formação uma oportunidade para aperfeiçoar a prática profissional e contribuir para a reabilitação funcional dos pacientes.
Eraci Manuela Gaspar, enfermeira do Hospital Geral de Cabinda, salientou a importância da articulação entre enfermeiros, médicos, anestesistas e neurologistas na resposta às situações neurológicas.
“Comprometemo-nos a oferecer respostas rápidas naquilo que são as urgências neurológicas e também na prevenção de sequelas”, afirmou.
Por sua vez, Daniria Solange dos Santos Silva, cardiopneumologista do Complexo Hospitalar General de Exército Pedro Maria Tonha “Pedalé”, considerou a capacitação uma mais-valia para a valorização profissional e a aquisição de competências diferenciadas.
Já a fisioterapeuta Isilda Adelaide Savite, do Hospital Geral de Cabinda, realçou a importância dos conhecimentos a adquirir para melhorar a avaliação e o acompanhamento de pacientes submetidos a cirurgias complexas, nomeadamente ao cérebro e à coluna vertebral.
A equipa de formadores integra igualmente a especialista angolana Ivuadi Gonçalves, docente da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto, com mais de 20 anos de experiência em electroencefalografia.
A componente científica será reforçada no dia 29 de Outubro com a participação do professor Fernando Cendes, docente da Universidade Estadual de Campinas, no Brasil, que se juntará aos especialistas angolanos Miguel Bettencourt e João Adilson.







