O Tribunal da Comarca do Lubango tinha marcado para a manhã de hoje o início do julgamento de Nelson Fernando Sampaio, acusado de ter supostamente cometido o crime de abuso sexual contra seis jovens da mesma família, enquanto exercia as funções de líder da Igreja Ministério Internacional dos Milagres, Amor e Compaixão, localizada no município da Palanca, província da Huíla. O arguido não compareceu à primeira sessão de julgamento, aprazada para hoje, sem qualquer justificação.
O juiz da causa, Aguinaldo Bartolomeu, chegou à sala de audiência por volta das 9 horas e anunciou o adiamento da sessão para amanhã, sustentando a decisão na ausência do arguido, que, segundo o tribunal, não terá sido notificado pelo Cartório Judicial.
Aguinaldo Bartolomeu apelou ao Cartório Judicial da Secção dos Crimes Comuns do Tribunal da Comarca do Lubango para evitar erros semelhantes, sob pena de ser multado o funcionário encarregue da notificação do arguido, nos termos do Código de Processo Penal.
“O Tribunal adia a presente sessão de audiência para o dia 8 de Outubro de 2026. Por outro lado, este Tribunal alerta o Cartório Judicial para que erros desta natureza não voltem a acontecer”, apelou.
Familiares receiam que o caso seja abafado
Depois de ter sido adiada para amanhã a primeira sessão de audiência do processo n.º 702/2026-D, em que é arguido Nelson Fernando Sampaio, acusado de ter supostamente cometido o crime de abuso sexual com penetração contra seis jovens da mesma família, os parentes das vítimas receiam que se trate de mais uma manobra dilatória, pelo facto de o caso só ter vindo à ribalta após a pressão da imprensa.
Teodoro Luís, tio de uma das vítimas de abuso sexual, deslocou-se da província de Icolo e Bengo para acompanhar o processo. O familiar questiona a razão do adiamento da audiência para amanhã.
Segundo disse, se o arguido estivesse detido, não se registaria a falta de comparência, situação que, no seu entender, pode comprometer a transparência do processo.
“Eu sou tio de uma das vítimas e amigo do arguido, que é pastor. Desloquei-me de uma província para cá a fim de acompanhar o julgamento pelo crime de que é acusado. Ficámos complicados com a decisão do juiz em adiar o julgamento, porque o arguido não foi notificado. O arguido está próximo, nós trabalhamos. Por que adiar para amanhã, se nós pedimos hoje no trabalho para aqui estar?”, questionou.
O pai de uma das vítimas, que trabalha na província do Huambo, apela à intervenção da primeira-dama da República no processo, pelo grau de influência que, segundo afirma, o arguido possui. Acrescenta que o caso só se tornou público após a intervenção do Jornal OPAÍS.
“Eu, na qualidade de progenitor, afirmo que é mais uma das formas de abafar o caso. Se não fosse por vós, este caso já estaria abafado. Mas nós confiamos na Justiça deste país. Na data em que isso aconteceu, o caso só veio à tona depois de quatro meses da sua detenção. Sabemos que existem leis neste país. Sabemos que a primeira-dama é uma das pessoas que luta contra estes crimes. Apelo à sua sensibilidade para que o problema tenha um fim, porque está a ser muito desgastante para mim”, afirmou.
POR: João Katombela, na Huíla







