O Ministério da Saúde (MINSA) está a preparar a implementação de uma formação especializada em Neurofisiologia Clínica, com o objectivo de reforçar a capacidade nacional de diagnóstico das doenças neurológicas e melhorar a assistência aos pacientes em Angola.
Para o efeito, o Instituto de Especialização em Saúde (IES) e a Unidade de Implementação do Projecto de Formação de Recursos Humanos em Saúde (UIP-PFRHS) realizaram, nesta Sexta-feira, 9 de Outubro, um encontro técnico com especialistas em Neurologia e Neurofisiologia Clínica, destinado a harmonizar o programa académico e definir as condições necessárias para o início da formação.
A reunião foi presidida pelo coordenador de gestão técnica da UIP-PFRHS, o neurologista Prof. Doutor Job Monteiro, e contou com a participação de responsáveis institucionais, docentes e especialistas da área.
Entre os participantes estiveram os neurologistas Prof. Doutor Miguel Betencourt Mateus e Prof. Dr. João Adilson, presidente da Sociedade Angolana de Neurologia, bem como o director-geral do Instituto de Especialização em Saúde, Dr. Betuel Helena, o neurocirurgião Dr. Djamel Kitumba e a chefe do Serviço de Neurologia do Complexo Hospitalar Pedalé, Dra. Helena Cordeiro, além de Dr. Aires Bondo Kaculo e outros representantes da unidade de implementação do projecto.
Durante o encontro, os especialistas analisaram a estrutura curricular, o calendário das actividades lectivas e assistenciais, a distribuição da carga horária e a articulação entre as aulas teóricas, a prática clínica hospitalar e os estágios especializados.
A formação pretende dotar os profissionais de competências para a realização e interpretação de exames neurofisiológicos, considerados fundamentais para o diagnóstico e acompanhamento de doenças do sistema nervoso.
Na sua intervenção, Job Monteiro destacou a necessidade de avançar com a implementação do programa, tendo em conta a escassez de profissionais qualificados e as necessidades do Serviço Nacional de Saúde.
“Precisamos de avançar com a formação especializada para responder às necessidades do Serviço Nacional de Saúde. Temos desafios que exigem organização, articulação institucional e compromisso, mas não podemos continuar a adiar a preparação de profissionais capazes de responder às necessidades reais do País”, afirmou.
O responsável defendeu igualmente a necessidade de assegurar o enquadramento académico e legal da formação, de modo a garantir o reconhecimento das competências adquiridas, a certificação dos formandos e a valorização profissional dos especialistas.
A coordenação científica do programa, os critérios de avaliação e a supervisão da aprendizagem foram também apontados como aspectos fundamentais para assegurar a qualidade da formação.
A componente prática mereceu particular atenção durante a reunião, sobretudo no que diz respeito à complexidade dos exames e à necessidade de garantir que os pacientes sejam acompanhados pelos formandos sob orientação de profissionais experientes.
Entre as áreas de intervenção previstas no programa académico estão a electroencefalografia, a electromiografia, os estudos de condução nervosa, os potenciais evocados e a monitorização neurofisiológica intra-operatória, tendo em conta os recursos disponíveis.
Os especialistas defenderam ainda o reforço da leitura e análise de artigos científicos e da investigação aplicada, para preparar profissionais capazes de interpretar resultados e fundamentar decisões clínicas com base na evidência científica.
A iniciativa enquadra-se nas orientações da ministra da Saúde, Sílvia Paula Valentim Lutucuta, no âmbito do Projecto de Formação de Recursos Humanos em Saúde (PFRHS), implementado com financiamento do Banco Mundial.
O projecto visa diversificar as especialidades da saúde e reforçar a capacidade nacional de diagnóstico e tratamento, contribuindo para a disponibilidade de profissionais qualificados e para a redução da necessidade de evacuações de pacientes para o exterior.
No quadro das actividades previstas, está igualmente anunciado um simpósio nacional de Neurofisiologia, a decorrer de 26 a 30 de Outubro, com o objectivo de promover a partilha de conhecimentos e o intercâmbio científico entre profissionais e instituições.









