Angola vai formar 20 profissionais de saúde em Neurofisiologia Clínica, no âmbito do primeiro curso de especialização nesta área, lançado pelo Ministério da Saúde (MINSA), que deverá ter uma duração de 12 meses.
Durante o período, os formandos terão formação em Angola, seguindo-se seis meses de experiência prática no Brasil, no âmbito da cooperação com a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e outros parceiros brasileiros.
A iniciativa visa reforçar a capacidade nacional de diagnóstico e acompanhamento de doenças neurológicas, através da formação de quadros especializados e da transferência de conhecimentos científicos, numa área em que o país ainda enfrenta escassez de profissionais.
O lançamento do curso ocorreu nesta Quinta-feira, 29 de Outubro, durante a abertura oficial do II Simpósio Angolano de Neurofisiologia, que decorre até sexta-feira, dia 30, na Escola Nacional de Administração e Políticas Públicas (ENAPP), em Luanda.
O encontro reúne especialistas angolanos e estrangeiros para a partilha de conhecimentos, experiências clínicas e avanços científicos no domínio das neurociências.
Ao apresentar o programa, o coordenador do Projecto de Formação de Recursos Humanos em Saúde (PFRHS), o neurologista Job Monteiro, destacou a importância de desenvolver uma formação contínua e ajustada às necessidades do Serviço Nacional de Saúde.
Segundo o responsável, Angola conta actualmente com cerca de 26 neurologistas, considerando os profissionais que trabalham nos sectores público e privado, realidade que reforça a necessidade de investir na especialização e ampliar progressivamente as competências nacionais.
O plano contempla uma carga horária de 1.968 horas, distribuídas por diferentes componentes formativas, incluindo neurociências básicas, segurança do paciente, bioética e investigação científica.
A formação abrange áreas como electroencefalografia, electroneurografia, polissonografia, potenciais evocados visuais e auditivos e monitorização neurofisiológica intra-operatória. O programa prevê aulas presenciais, sessões síncronas e assíncronas, bem como intercâmbio entre formadores angolanos e brasileiros.
A componente prática nacional decorrerá no Complexo Hospitalar do Hospital General do Exército Pedro Maria Tonha “Pedalé”, onde os formandos terão contacto directo com pacientes, equipamentos e procedimentos necessários ao desenvolvimento das competências profissionais.
Cooperação com o Brasil
A parceria com instituições brasileiras, com destaque para a Universidade Estadual de Campinas, constitui uma das bases do programa, permitindo aos profissionais angolanos beneficiar da experiência de especialistas nas áreas da Neurologia e da Neurofisiologia Clínica.
Entre os especialistas envolvidos estão Fernando Cendes e Bruno Gumiero, cujos conhecimentos deverão contribuir para o desenvolvimento das competências dos participantes, sobretudo em áreas que ainda carecem de especialistas nacionais.
A formação inclui o estudo de exames utilizados na avaliação do funcionamento do sistema nervoso. Entre estes está o electroencefalograma, que permite avaliar a actividade eléctrica cerebral, e a electroneurografia, utilizada para estudar o funcionamento dos nervos periféricos.
Outra área abrangida é a monitorização neurofisiológica intra-operatória, técnica que permite acompanhar determinadas funções do sistema nervoso durante intervenções cirúrgicas, nomeadamente em operações à coluna vertebral e ao cérebro, ajudando as equipas médicas a identificar alterações que possam comprometer a integridade neurológica dos pacientes.
Durante o simpósio, o especialista brasileiro Bruno Gumiero destacou a importância da transmissão de conhecimentos aos profissionais angolanos, com vista ao reforço da qualidade dos exames e à melhoria da segurança dos pacientes submetidos a determinadas intervenções cirúrgicas.







