A jornalista, investigadora e docente universitária, Sandra Mainsel, foi nomeada presidente da 50 Mais 1 Angola, no âmbito de uma agenda institucional realizada em Houston, nos Estados Unidos da América, antes de seguir viagem para a República Dominicana, onde participará numa conferência internacional dedicada à cultura e ao livro.
Na Segunda-feira, Sandra Mainsel foi recebida pela cônsul do México em Houston, num encontro que contou também com a presença da cônsul de Angola, Ana Paula do Nascimento, e da vice-cônsul Sílvia da Cruz, que a acompanharam durante a deslocação.
A nomeação marca uma nova etapa no percurso da jornalista, que pretende conhecer as mulheres da organização, compreender as suas expectativas e trabalhar em conjunto para transformar as ideias em acções concretas.
Em declarações hoje ao Jornal OPAÍS, Sandra Mainsel afirmou que não pretende assumir a liderança com a ideia de que tem todas as respostas, mas levar a sua experiência, disponibilidade para aprender e vontade de unir capacidades.
“Quero conhecer as mulheres desta organização, perceber o que esperam de nós e encontrar formas de transformar essas expectativas em trabalho concreto”, afirmou.
Jornalista alerta para os riscos dos deepfakes
Depois da agenda em Houston, Sandra Mainsel seguiu para a República Dominicana, onde participará, no próximo sábado, como prelectora na XIII Feira Internacional do Livro e da Cultura de Neiba 2026, promovida pela Fundación Tierra Blanca.
A sua intervenção será dedicada aos deepfakes no jornalismo angolano, com enfoque na identificação de vídeos manipulados por inteligência artificial e nos riscos que estes conteúdos representam para a credibilidade da informação e para o exercício de um jornalismo rigoroso e responsável.
A jornalista considera que o tema ainda é pouco debatido e defende a necessidade de preparar a sociedade para reconhecer conteúdos audiovisuais falsificados e evitar a partilha de informações sem a devida verificação.
“O que me inquieta nos deepfakes é pensar que podemos chegar a um momento em que uma pessoa olha para um vídeo, reconhece um rosto, ouve uma voz familiar e, mesmo assim, está a ser enganada”, observou.
Sandra Mainsel explicou que a sua preocupação não é criar medo da inteligência artificial, mas alertar para os riscos da falta de conhecimento perante a evolução tecnológica.
“Precisamos de conversar sobre isto, de mostrar exemplos e de ensinar as pessoas a questionar aquilo que recebem, em vez de acreditarem e partilharem imediatamente”, defendeu.
O tema está ligado ao seu trabalho de investigação sobre literacia mediática e digital, com atenção à inclusão tecnológica e à capacitação dos cidadãos para compreenderem os desafios da transformação digital.
Com a participação na feira internacional, a jornalista pretende contribuir para o debate sobre o reforço das competências de jornalistas e cidadãos na verificação da informação, na identificação de conteúdos manipulados e no combate à desinformação.
Sobre a organização
A 50+1 Internacional é uma organização que reúne mulheres de diferentes áreas, entre as quais política, diplomacia, academia, justiça, activismo e actividade empresarial. A sua fundadora e presidente internacional é María Elena Orantes López.
De acordo com publicações divulgadas em 2026, a rede internacional contava com participantes de 26 países, segundo uma notícia de Abril sobre um congresso realizado em Itália. Já uma publicação de Outubro indicou presença em 27 países, 81 cidades e cerca de seis mil mulheres.
O nome 50+1 está associado à representação das mulheres, que correspondem aproximadamente a metade da população mundial, enquanto o “+1” simboliza a pessoa ou instituição que se junta à causa para contribuir para o avanço da agenda feminina.
Segundo à fundadora, María Elena Orantes López, o conceito tem também uma dimensão política e prática, relacionada com a obtenção de maiorias necessárias para aprovar medidas e leis favoráveis aos direitos das mulheres.
Nesse sentido, o “+1” pode representar um empresário, uma instituição pública, uma universidade, uma organização da sociedade civil ou qualquer pessoa disposta a contribuir com recursos, conhecimento, influência e soluções concretas para promover a igualdade de oportunidades.
A nomeação de Sandra Mainsel coloca a representação angolana sob a sua liderança, num contexto em que a rede internacional procura reunir mulheres de diferentes sectores e mobilizar apoios em torno das suas causas








