O Ministério da Saúde (MINSA) reforçou o acompanhamento das actividades de vigilância epidemiológica em Luanda, através de uma missão técnica que avaliou o funcionamento das Antenas Epidemiológicas, os mecanismos de notificação e investigação de casos e a articulação entre as estruturas provinciais, municipais e comunitárias de saúde.
A missão foi conduzida por uma delegação da Unidade de Implementação do Projecto de Formação dos Recursos Humanos em Saúde (UIP-PFRHS), coordenada pelo professor Job Monteiro, em articulação com o Projecto de Preparação, Resposta e Resiliência às Emergências de Saúde (PPRRES), dando continuidade ao trabalho anteriormente realizado na província do Bengo.
Durante a visita, a delegação acompanhou os procedimentos operacionais das equipas de vigilância e identificou oportunidades de melhoria na circulação, análise e validação da informação epidemiológica, considerada fundamental para a detecção precoce de ameaças sanitárias e a resposta às emergências de saúde pública.
Duas Antenas acompanham os 16 municípios
No encontro com o director do Gabinete Provincial da Saúde de Luanda, António Manuel Varela, foram apresentados os objectivos da missão e a importância do acompanhamento das actividades de vigilância epidemiológica na capital do país.
Na sessão técnica, a chefe do Departamento de Saúde Pública da província, Luísa Paulo, explicou o funcionamento das duas Antenas Epidemiológicas responsáveis pelo acompanhamento dos 16 municípios de Luanda, cabendo a cada equipa a cobertura de oito municípios.
Estas estruturas desempenham um papel importante na identificação de sinais de alerta, na notificação de eventos suspeitos, na investigação de casos e na articulação com as unidades sanitárias e as equipas de resposta rápida.
O trabalho das Antenas permite aproximar os mecanismos de vigilância das comunidades e facilitar a identificação de situações que possam representar riscos para a saúde pública, contribuindo para uma intervenção mais atempada dos serviços competentes.
Missão acompanha actividades no terreno
No âmbito da missão, a delegação visitou o Centro de Operações de Emergências de Saúde Pública (COESP), onde acompanhou os mecanismos de coordenação operacional e de gestão da informação utilizados na preparação e resposta às emergências de saúde pública.
A visita destacou a importância da qualidade dos dados, da sua verificação e da articulação entre as estruturas responsáveis pela produção e análise da informação epidemiológica, para que as decisões das autoridades sanitárias sejam sustentadas por informações consistentes e actualizadas.
O programa incluiu igualmente deslocações ao município da Maianga, com passagem pelo Centro de Saúde do Catinton, e ao município do Kilamba Kiaxi, onde foram visitadas a Direcção Municipal da Saúde e áreas de intervenção comunitária, incluindo o bairro do Catinton e a zona do Nova Vida.
Durante as actividades no terreno, a delegação acompanhou procedimentos de vigilância epidemiológica e de busca activa, observando a ligação entre as orientações técnicas, o trabalho dos profissionais de saúde e a identificação de situações que exigem acompanhamento pelas equipas competentes.
A componente operacional permitiu ainda reforçar o contacto com os profissionais que asseguram a vigilância nas comunidades, promovendo a articulação entre os níveis provincial, municipal e comunitário.
MINSA reforça prevenção da Mpox
Durante a visita ao bairro do Catinton, a representante da Direcção Nacional de Saúde Pública, Dra. Maria Lopes, destacou a importância da investigação de casos, da identificação de contactos e do reforço das competências das equipas de vigilância e de resposta rápida.
Segundo a responsável, o acompanhamento dos contactos de casos confirmados é uma das medidas essenciais para interromper as cadeias de transmissão, permitindo identificar precocemente pessoas que possam desenvolver sinais e sintomas da doença e encaminhá-las para avaliação e acompanhamento adequados.
A responsável sublinhou igualmente a necessidade de reforçar a capacitação dos profissionais de saúde na identificação de casos suspeitos, na investigação epidemiológica e na busca activa de contactos, com particular atenção à articulação entre as equipas nacionais, provinciais e municipais e as unidades sanitárias.
No que respeita à Mpox, apelou à adopção de medidas preventivas e à procura atempada dos serviços de saúde perante sinais compatíveis com a doença, sobretudo quando exista histórico de contacto com uma pessoa suspeita ou confirmada.
A transmissão da Mpox pode ocorrer através do contacto directo com lesões cutâneas, fluidos corporais e outros materiais contaminados. Por essa razão, a prevenção, a identificação precoce de sinais suspeitos e o acompanhamento dos contactos são considerados fundamentais para reduzir o risco de transmissão.
A responsável chamou ainda a atenção para a importância da informação e sensibilização da população, defendendo a promoção de comportamentos preventivos e a procura dos serviços de saúde perante situações suspeitas, sem estigmatizar as pessoas afectadas.
Missão identifica oportunidades de melhoria
No balanço da missão, o coordenador e gestor técnico da UIP-PFRHS, professor Job Monteiro, destacou a importância do acompanhamento directo das estruturas sanitárias e da observação dos procedimentos adoptados pelas equipas responsáveis pela vigilância epidemiológica.
A iniciativa permitiu reforçar o diálogo entre a UIP-PFRHS, o PPRRES e as estruturas provinciais e municipais de saúde, identificando oportunidades para melhorar os procedimentos operacionais, a qualidade da informação e a coordenação das actividades de vigilância.
A missão enquadra-se nos esforços do Ministério da Saúde para fortalecer as capacidades institucionais e técnicas do Sistema Nacional de Saúde, com vista a melhorar a preparação e a resposta às emergências de saúde pública.
O acompanhamento das Antenas Epidemiológicas e das equipas que actuam no terreno constitui, assim, uma componente do reforço da capacidade de detecção precoce, investigação e resposta a eventos que possam colocar em risco a saúde da população.








