Angola deu início, nesta segunda-feira, 26, a uma formação especializada em Neurofisiologia Clínica, com o objectivo de reforçar a capacidade nacional de diagnóstico e monitorização de doenças neurológicas.
Neste âmbito, o Complexo Hospitalar General Pedro Maria Tonha “Pedalé”, em Luanda, prevê começar a realizar novos exames neurológicos ainda esta semana.
A formação, que decorre até 30 de Outubro, é promovida pelo Ministério da Saúde, através da Unidade de Implementação do Projecto de Formação de Recursos Humanos em Saúde (UIP-PFRHS), em articulação com o Instituto de Especialização em Saúde (IES), e conta com a participação de profissionais angolanos e especialistas brasileiros.
O lançamento do curso foi orientado pela ministra da Saúde, Sílvia Paula Valentim Lutucuta, e contou com a presença de responsáveis das instituições envolvidas, entre os quais o coordenador e gestor técnico da UIP-PFRHS, Job Monteiro, e o director-geral do Hospital Pedalé, Albano Eugénio.
Entre os procedimentos previstos estão o electroencefalograma (EEG), utilizado para avaliar a actividade eléctrica cerebral, a electroneuromiografia (ENMG), que permite estudar os nervos periféricos e os músculos, e os potenciais evocados visuais e auditivos.
O programa inclui igualmente a monitorização neurofisiológica intra-operatória, técnica que permite acompanhar determinadas funções do sistema nervoso durante intervenções cirúrgicas, ajudando a identificar alterações que possam colocar em risco as funções neurológicas dos pacientes.
Segundo a informação divulgada pelo Ministério da Saúde, os exames serão destinados a pacientes referenciados pelo Serviço de Neurologia do Hospital Pedalé, em regime ambulatório. A sua disponibilização dependerá da preparação dos profissionais, das condições técnicas e da organização dos serviços.
Especialistas brasileiros reforçam componente científica
A formação conta com a participação de especialistas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), do Brasil, com destaque para o professor Fernando Cendes, director fundador do Programa de Cirurgia de Epilepsia e do Laboratório de Neuroimagem da Faculdade de Ciências Médicas daquela universidade.
A sua participação centra-se nos desafios do diagnóstico e tratamento da epilepsia refractária, com abordagem da avaliação neurofisiológica, do vídeo-electroencefalograma (vídeo-EEG), do EEG de alta densidade e da articulação destas técnicas com métodos avançados de neuroimagem.
O programa contempla ainda sessões sobre semiologia neurológica, interpretação de exames electrofisiológicos, avaliação da distonia e aplicação da monitorização neurofisiológica na prática neurocirúrgica.
A componente teórico-prática pretende aproximar o conhecimento científico das necessidades dos serviços de saúde, contribuindo para o desenvolvimento de competências especializadas entre os profissionais nacionais.
Formação integra programa de capacitação de quadros
A iniciativa enquadra-se no Projecto de Formação de Recursos Humanos em Saúde, que tem como meta formar 38 mil profissionais do sector até 2028.
A formação em Neurofisiologia Clínica constitui uma das etapas do reforço da especialização dos quadros nacionais numa área que exige articulação entre os técnicos responsáveis pela realização dos exames e os médicos habilitados para a sua interpretação.
Paralelamente, está previsto o 2.º Simpósio de Neurociências, que deverá reunir cerca de 200 profissionais de saúde, entre médicos, técnicos e outros quadros ligados à área, para a actualização de conhecimentos, a partilha de experiências e a promoção de práticas clínicas baseadas na evidência científica.








