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Cimeira EUA-África: Políticos enaltecem realização e defendem alteração nos modelos de investimentos políticos

Neusa Felipepor Neusa Felipe
23 de Junho, 2025
Em Política

Arrancou ontem, na capital angolana, Luanda, a 17.ª Cimeira de Negócios EUA-ÁFRICA. O evento, que vai decorrer durante quatro dias, de 22 a 25 de Junho, junta mais de dois mil 700 delegados, cerca de dez chefes de Estado, cinco primeiros-ministros, entre outros representantes

17ª Cimeira de Negócios EUA-ÁFRICA que Angola acolhe, de 22 a 25 de Junho, vai reunir delegações governamentais, empresários e representantes de organizações do continente africano e dos Estados Unidos da América.

O evento vai abrir oportunidades para se fortalecer as relações económicas, estabelecer parcerias estratégicas, captar investimentos e ainda abrir horizontes para que Angola possa intensificar as suas exportações para os Estados Unidos da América.

Em entrevista a este jornal, o de putado e secretário nacional para os assuntos eleitorais da UNITA, Faustino Mumbica, referiu que a realização de um evento desta dimensão em solo angolano vai servir de momento oportuno para publicitar a imagem do país, divulgar o seu potencial turístico, as oportunidades de negócio que oferece, fazendo com que o país ganhe na projecção da sua imagem.

Fazendo um enquadramento a nível do continente, Mumbica falou do problema que ainda reside no tipo de modelo de investimento predominante entre África e Estados Unidos da América.

O deputado entende que o problema maior reside no modelo de investimento entre a África e o Ocidente, por ser um modelo de dependência e por não liberar as partes na perspectiva das vantagens mútuas. “Infelizmente, o Ocidente, quando investe em África, a tendência é sempre a exportação de capital, e nunca há o reinvestimento na África.

É verdade que a culpa também não é deles, a culpa é nossa como africanos. Nós, africanos, é que temos a mania de pensar que tem de ser o Ocidente a fazer por nós.

Portanto, se há uma perspectiva na partilha de oportunidades mútuas, nós temos de saber ser inteligentes o suficiente e aprendermos com as lições do passado, entender que, o Ocidente, quando vem para investir na nossa terra, não tem sido para desenvolver a nossa terra, tem sido para gerar lucros e exportar esse capital em retorno para os seus países.

Esse modelo é o que precisamos alterar”, disse. Mais do que andar atrás de empréstimos bancários, defendeu que os Estados africanos deviam privilegiar este tipo de cimeiras, sobretudo na perspectiva do investimento directo externo, em que os empresários teriam a oportunidade de vir directamente investir no país sem que o país tenha a necessidade de recorrer a empréstimos financeiros que acabam por onerar muito o Estado.

“Será bom que, de facto Angola, mais do que apostar na divulgação da imagem do país, que infelizmente é sobejamente conhecida por estes países, com destaque para os próprios Estados Unidos, Angola deveria também apostar bastante na melhoria do ambiente de negócios”, avançou.

Alterar o paradigma político e os sistemas jurídicos: defende Bloco Democrático

O porta-voz do Bloco Democrático, Muata Sebastião, enaltece, igualmente, o facto de o país acolher uma organização de dimensão internacional como esta cimeira, alegando tratar-se de uma oportunidade para colocar o país na “vitrine” internacional, sobretudo na perspectiva política e económica, embora não tenha ignorado os altos custos para a sua concretização.

Para garantir sucesso na atracção de mais investidores e na melhoria da qualidade de vida dos povos, Muata Sebastião defendeu a necessidade de se alterar os paradigmas políticos.

“O continente africano e Angola, em particular, precisam alterar o paradigma político e os seus sistemas jurídicos que têm sido um dos grandes entraves. Não é possível investir em países com insegurança jurídica e com governantes corruptos”, disse.

Por outro lado, lembrou o facto de o continente africano ter se tornado, nos últimos tempos, uma prioridade para os países do norte global que procuram oportunidades de investimento, não apenas pela sua localização geográfica que contribui também no interesse que aqueles países têm, mas sobretudo pelas oportunidades que há para aceder aos recursos naturais que a África tem, em geral, e em particular, Angola.

“A ausência de tecnologias e de uma cultura económica robusta é um dos handicaps para esta atenção do Ocidente. Acolher uma organização como esta é simbolicamente importante e aqui em particular pela agenda da Presidência da República que assumiu a agenda da diplomacia económica, como formas de atrair o investimento privado que, se acontecer, em termos de resultados, pode contribuir no controlo da ineficácia do mercado que há mais de uma década tem tido dificuldades para controlar e absorver a mão de obra, contribuindo assim para o aumento do desemprego”, disse.

O político espera que o evento venha produzir frutos e defende que o país deveria entrar nestes desafios com a certeza dos ganhos, pois considera que, se for por uma questão de ego político, estaria a dar claros sinais de não entender, de facto o que interessa e como traduzir o interesse em agenda para o desenvolvimento, que é o que o país realmente precisa.

“Vamos acreditar também que esta iniciativa visa, de algum modo, trazer à tona o debate em torno dos investimentos ao longo do Corredor do Lobito.

E, como sabemos, depois da assinatura dos acordos entre Angola e os EUA, o certo é que pouca coisa se avançou em termos de trabalhos concretos, e o silêncio do lado de Angola sobre esta matéria evidencia algum cepticismo dos investidores, apesar do interesse”, sublinhou.

Olhando pela dimensão e importância do evento em causa, Muata Sebastião espera que os angolanos consigam, de facto, ver estas iniciativas traduzidas em oportunidades de emprego e no melhoramento do ambiente económico, o que passa pela qualidade das instituições, estas que considera que têm constituído empecilhos que internamente os angolanos enfrentam e que poderão enfrentar os investidores estrangeiros que decidirem investir em Angola.

Alertou que o governo angolano precisa, de igual modo, entender que, se não melhorar as suas práticas sobre o modo como encara a governação, sobretudo ignorando os princípios da transparência, iniciativas como estas não resultarão em nada.

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