NAZARÉ VAN-DÚNEM
*Jornalista e Diplomata reformado
A informação é a essência da vida humana. Sem comunicação, a existência torna-se impossível. As sociedades primitivas perceberam, há milénios, que sem a livre circulação de fragmentos de informação entre os membros da comunidade, a vida seria breve e desprovida de sentido.
Por isso, desenvolveram os mais poderosos instrumentos de interacção: as línguas faladas, inicialmente ágrafas e, mais tarde, escritas. Eram registadas em suportes que evoluíram do barro ao bronze, passando pelos tecidos com fibras vegetais, antepassados do papel. A expressão máxima do génio criativo de um povo é a sua língua.
No mosaico cultural de Angola, meu país, a vida humana circula através de 12 principais grupos etno-linguísticos, cuja esmagadora maioria dos integrantes se comunica e se entende perfeitamente recorrendo a uma matriz comum: a Língua Portuguesa.
A comunicação, para ser completa, deve ser, no mínimo, biunívoca. Sem o outro, na sua diferença, não existe diálogo nem vivência humana. Quanto mais alargada for a rede partilhada, mais informação circula e mais vida floresce num mundo pleno de diversidade, a base natural da convivência e da concórdia. A informação garante a partilha do conhecimento, dos valores éticos e morais que sustentam as sociedades.
Sem censura, bloqueios ou falsificações nos canais de difusão, caminharíamos para uma sociedade ideal, pois a par tilha desinibida de preceitos sociais e culturais assegura a paz e o desenvolvimento. Estes, por sua vez, assentam nas condições que dão expressão à liberdade: a saúde, a educação, a habitação e o trabalho justamente remunerado.
No advento do liberalismo, os revolucionários e pensadores que moldaram a ideia deliberdade compreenderam a importância da comunicação na melhoria dos índices de desenvolvimento humano e na gestão de crises. Por isso, salvaguardaram a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa.
A ordem jurídica internacional assumiu estes valores como universais e, desde então, informar, informar-se e ser informa do passou a constituir um direi to fundamental com reconhecida dignidade constitucional. A comunicação foi protegida universalmente através de convenções e tratados que proíbem a censura e a violação dos direi tos de personalidade.
Estes últimos incluem a defesa da privacidade, do segredo e da história pessoal de cada ser humano. Sempre que foram colocadas restrições à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa, o mundo mer gulhou em conflitos de efeito des trutivo, ceifando vidas e devas tando bens. Vivemos hoje num contexto intei ramente novo.
As chamadas au to-estradas da comunicação, reforçadas com a Internet e as Redes Sociais, transformaram o planeta numa aldeia global onde a informação circula vertiginosamente. Neste novo panorama, mais com plexo e exigente, os valores da liberdade, do respeito pela diferença e da paz estão ao alcance de to dos, dos benévolos aos malévolos, podendo ser facilmente instrumentalizados para multiplicar as discórdias.







