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É de hoje…Invasão silenciosa no Sul de Angola

Dani Costapor Dani Costa
5 de Fevereiro, 2026
Em Cronica de Dani Costa, Opinião

Foi poucos anos depois de Angola ter alcançado a paz, na sequência da morte do líder fundador da UNIITA, Jonas Savimbi, nas matas do Lucusse, no Moxico, que, com um grupo de amigos, empreendemos uma viagem de aventura às partes mais longínquas do Cuando Cubango.

Foram três dias de viagem, a bordo de duas viaturas ‘todo o terreno’, que nos proporcionaram cortar as localidades de Caiundo, Savate, Katuitui, Dirico, em Angola, Rundo e Cheto, na Namíbia. Foi nesta altura em que, por feliz memória, chegamos a visitar a Jamba, o antigo bastião do Galo Negro. Desde esta altura, apesar de já ter percorrido quase todo o território nacional, que contava anteriormente com 18 províncias, tive a percepção da sua dimensão.

Passei então a figurar de um grupo de angolanos que não via como quaisquer manobras políticas o facto de se querer aumentar o número de províncias, que hoje perfazem 21. A dado momento, no Cuando Cubango, independentemente da velocidade que se imprimia nas estradas de terra batida ou mesmo no asfalto do lado namibiano, não se via uma vivalma.

E as aldeias existentes, distanciadas em dezenas ou até mesmo centenas de quilómetros, reforçavam ainda mais a necessidade de os serviços públicos, infra-estruturas e a própria administração do Estado aproximar-se destes angolanos, alguns dos quais precisavam de vários auxílios. Quem um dia escreveu, num livro do então primeiro nível, que Angola era um país grande, rico e belo nunca, esteve enganado.

Do mesmo modo que nunca o esteve o então Presidente fundador, Dr. António Agostinho Neto, quando dizia que África era um corpo inerte onde cada abutre vinha debicar o seu pedaço. A enorme extensão do país propicia, em muitos casos, que forasteiros penetrem, explorem as suas riquezas e depois encaminham os rendimentos aos seus países de origem.

Estamos lembrados da operação que se realizou há alguns anos nas zonas diamantíferas das Lundas, Bié e outras, onde se detectou a presença massiva de oeste-africanos e de outras partes do continente ou até mesmo do globo como principais instigadores, compradores e empresários do referido ramo.

Não espanta que, além destes sectores, tidos como tradicionais para os empresários estrangeiros que entram normalmente à socapa, muitas vezes com patrocínio de cidadãos nacionais, surjam outros menos visíveis, como se diz agora em relação à agricultura.

Ao ouvir o general Francisco Pereira Furtado, ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, sobre a existência de muitos empresários namibianos e zambianos a explorarem grandes fazendas de forma ilegal em territórios das províncias do Cuando – e provavelmente no Cunene –, reabrem especulações sobre a forma como estes chegam e penetram em território nacional.

Sabe-se que estas actividades agrícolas vêm sendo desenvolvidas sobretudo nas áreas fronteiriças. Por sinal, guardadas por um contingente afecto às forças de segurança, mesmo que existam zonas cinzentas, mas, tendo em conta a maquinaria que envolve as referidas acções, é impossível que não exista acobertamento por parte de cidadãos angolanos.

E são muitos destes que vão vendendo não só a nacionalidade, como também áreas em território angolano a troco de 30 moedas de prata, como o fez um dia Judas Iscariotes em relação a Jesus Cristo. O ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, Francisco Pereira Furtado, denunciou a ocupação ilegal de fazendas nas províncias do Cunene e do Cuando por empresários de países vizinhos, assegurando, no entanto, que o Governo angolano está a travar esta tendência.

NocasodoCunene,FranciscoPereiraFurtadodizqueessasituação regista-se na zona fronteiriça de Namacunde, e a ocupação tem marcas de fazendeiros namibianos e sul-africanos. A identificação dessas fazendas foi feita durante os trabalhos de terraplanagem numa via de acesso que está a ser realizada por uma Brigada de Obras de Engenharia da Casa Militar.

Já no caso do Cuando, a descoberta da ocupação ilegal de fazendas por empresários zambianos também foi por conta de trabalhos de terraplanagem em zonas de difícil acesso. O ministro de Estado Francisco Pereira Furtado avançou que, no Cuando, as fazendas ocupadas ilegalmente por zambianos estão localizadas no município do Rivungo.

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