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OPAÍS

É de hoje…Executivo abre os cofres para os sinistrados

Dani Costapor Dani Costa
23 de Abril, 2026
Em Cronica de Dani Costa, Opinião

Quase duas semanas depois da catástrofe em Benguela, ainda se contam os prejuízos. Cada dia que passa, há uma nova versão dos factos. Não há notícias sobre o aumento do número de mortes, mas as que ocorreram, acima de 20, são suficientes para ficarmos enlutados durante muito tempo.

Há o caso das crianças desaparecidas, cujos pais, com certeza, não conseguem pregar o olho. Nestas alturas, nem que se tenha perdido uma casa ou mesmo haveres, o aparecimento de um parente, seja filho, irmão, pai ou mãe, acaba sempre por ser um verdadeiro alento e um estímulo para se levantar e encarar de frente o futuro que, querendo ou não, espera muitos dos sinistrados hoje espalhados pela cidade de Benguela.

E este futuro só seria viável se, além dos apoios que vão surgindo por parte da sociedade em bens diversos, também fosse extensivo para a recuperação das infra- estruturas sociais e económicas arrasadas pela fúria do rio Cavaco. As águas levaram quase tudo. Casas, escolas, centros de saúde e outras infra-estruturas públicas.

Do outro lado, acabaram também invadidas e destruídas propriedades que suportavam a estrutura económica de muitas daquelas localidades, como fazendas, lojas de grande e pequena dimensão, fazendo com que, nesta altura, muitos dos sinistrados e não só se questionassem sobre os próximos tempos.

A recuperação do tecido empresarial afectado nos últimos dias pelas catástrofes naturais, em Benguela, assim como noutras províncias em que ocorreram situações semelhantes, é imperiosa para não se agudizar ainda mais o sofrimento já existente.

Porque, sem empregos, um salário e outras benesses que muitos, se calhar, têm direito, se tornaria quase impossível ver muitos dos afectados reiniciarem o que já tiveram há anos.

Ontem, depois de uma reunião extraordinária da Comissão Económica do Conselho de Ministros, o Executivo anunciou um pacote de 30 mil milhões de kwanzas para as empresas e os cidadãos particulares que viram os seus empreendimentos destruídos pelas cheias e outras situações provocadas pela natureza.

Antes das chuvas, circulavam relatos de estiagem noutras localidades, onde empresários e populares perdiam cabeças de gado bovino e caprino, sobretudo, por falta de água. Quando choveu, a desgraça de muitos agudizou em províncias como Cunene, Malange, Huíla e outras.

Para já, um dos mecanismos necessários será que os futuros beneficiários estejam regularizados e a situação fiscal em dia. Só assim muitos poderão beneficiar dos incentivos lançados pelo Estado, entre os quais ficar três meses com o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) a cobrir os 8 por cento para o pagamento dos trabalhadores, assim como ter acesso aos créditos para a recuperação dos negócios.

Depois deste anúncio feito pelo Executivo, tal como aconteceu durante as manifestações do ano passado em algumas províncias, em que centenas de estabelecimentos comerciais ficaram destruídos, a ajuda ficará dependente dos próprios empresários interessados, que devem apressar os seus documentos para que voltem a dar emprego a muitos angolanos e participem activamente na reconstrução das localidades arrasadas pelas chuvas e estiagem.

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