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É de hoje… Há males que vêm para o bem…

Dani Costapor Dani Costa
9 de Setembro, 2026
Em Opinião

Aproxima-se, numa velocidade de cruzeiro, o início do ano lectivo no ensino superior. Nesta fase do ano, ainda é visível o frenesi dos encarregados de educação e dos próprios estudantes à busca de uma vaga, principalmente nas universidades públicas espalhadas em todo o país. Contrariamente aos anos anteriores, o próximo ano lectivo contará com menos vagas no geral.

As últimas informações apontam para o défice de menos 50 mil vagas, uma cifra elevadíssima que, para muitos, poderá enegrecer de algum modo as pretensões do Executivo.

Mas não! Quem acompanhou as dinâmicas a nível do ensino superior nos dois últimos anos lembrar-se-á do processo de avaliação levado a cabo pelo Ministério do Ensino Superior, que culminou com o encerramento de alguns cursos e a proibição de várias universidades, entre públicas e privadas, de poderem receber novos estudantes.

Não obstante as necessidades existentes a nível do ensino superior, o país viu nascer em catadupa um elevado número de instituições, muitas das quais sem quaisquer condições para seleccionar nem tão pouco docentes para ensinar os cursos que regularmente apregoavam.

Para muitos, o ideal era o Estado permitir a for mação superior em grandes números, como hoje se vê em determinados cursos, e destes licencia dos aproveitar-se aqueles que de facto tenham absorvido conhecimento que possa ajudar o país em vários domínios.

Mas, as avaliações feitas pelos técnicos do Instituto Nacional de Avaliação, Acreditação e Reconhecimento de Estudos do Ensino Superior (INAARE ES) demonstraram um cenário sombrio. Por esta razão, tendo em conta a pontuação conseguida por determinadas instituições, foram estas ordenadas a encerrarem cursos e não receberem novos estudantes enquanto não criarem as condições necessárias.

Explicando o que aconteceu até ao momento, o secretário de Estado para o Ensino Superior de Angola, Eugénio Alves da Silva, garantiu que, para o novo ano académico, foram autorizadas apenas 283.500 vagas, sendo 21.700 para as instituições públicas do ensino superior e as restantes para as instituições privadas.

Para o responsável, a redução de 50 mil vagas em comparação com o ano 2025/26 resultou do processo de avaliação externa e da acreditação que suspendeu, em Abril de 2025, mais de 250 cursos em universidades públicas e privadas “por falta de condições”.

A redução poderá ter um impacto significativo no seio das famílias. Mas a verdade é que antes for mar um bom quadro, com menos hipóteses de cometer erros, do que um mau profissional por conta da ânsia de muitos investidores do sector.

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