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É de hoje… A rota financeira da falta de amor próprio

Dani Costapor Dani Costa
9 de Março, 2026
Em Opinião

Cruzei-me, há dias, com um grande amigo. No curto espaço de tempo que tivemos, em que, habitualmente, procuramos saber sobre os nossos familiares, sobressaiu o facto de ter dito que um dos seus irmãos se encontrava no exterior há algum tempo. Nada contra o facto de este ter preferido viver em terras lusas.

O que espanta é o facto de o ter feito pouco tempo depois de ter exercido funções públicas no país, onde teve a responsabilidade de dirigir uma circunscrição em que habitam ainda nos dias de hoje milhões de cidadãos, alguns dos quais em condições extremamente inóspitas. Não se trata de um caso isolado. São inúmeros a cada dia que passa.

E não são aqueles imigrantes que saem de Angola à busca de melhores condições de vida, integrados localmente em serviços a nível da construção civil, hotelaria e restauração, cuidados paliativos de cidadãos na terceira idade ou, então, em higiene e segurança no trabalho.

Há uma nata de gente que até então vendia aos milhares de angolanos o sonho de um país melhor, com dados estatísticos que apresentavam algumas vezes com pompa e circunstância, mas, no primeiro abalo político e até emocional, rumaram para os feudos onde durante anos foram acumulando as suas fortunas.

É curioso, até nos dias que correm, escutar indivíduos cuja missão é, supostamente, criar condições para que se desenvolva o país, incutindo esperanças no seio de uma maioria de dias cada vez melhores, ter como referências ou conversas do seu dia-a-dia as visitas ou frequências em cidades estrangeira, onde parecem fazer as suas vidas.

E pior, com as receitas que acabam por subtrair do país em que nasceram, mas parecem não amar. De administradores municipais a antigos governantes de alto escalão, sem se olvidar, inclusive, líderes de partidos da oposição, são muitos os casos daqueles que, na primeira oportunidade, buscam logo refúgio no exterior, mesmo sem quaisquer processos judiciais à perna ou suspeitas de que tenham engendrado algum mal ao país.

A romaria, por mais que não se queira, acaba muitas vezes por criar até mesmo naqueles que ainda permanecem insinuações dos -discursos por eles proferidos, em vários escalões, reflectiam mesmo a realidade e tivessem como propósito a construção de um país melhor para os seus filhos.

Quando se olha hoje para a rota do dinheiro subtraído de Angola, espalhado entre a Europa, América, Ásia e outros paraísos fiscais, fica por demais evidente que alguns que permaneceram ou ainda permanecem entre nós há muito que terão desistido do país.

Aguardam apenas que se aperte o botão para que possam ir ao encontro das fortunas escondidas, que dariam muito jeito aos seus compatriotas, construindo infra-estruturas e agregando outros serviços, para sustentar os seus luxos, mesmo sabendo que nunca os irão gastar completamente, nem os seus herdeiros.

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