Antes de ter visto transferidos os municípios do Calumbo – então Viana – e Icolo e Bengo (para a província com o mesmo nome), estes eram os municípios onde se assistia a uma maior disputa de terrenos a nível da província de Luanda.
Devido ao envolvimento de indivíduos ligados às Forças Armadas Angolanas (FAA) e à própria Polícia Nacional, num dado momento, foi necessária a criação de uma força-tarefa para amainar os apetites de muitas destas figuras castrenses, que se acreditava estarem mancomunadas com os chamados ‘invasores de terra’. Os problemas existentes nesta parcela do país persistem.
Ainda assim, Luanda, a capital, viu outras áreas transformarem-se em focos de conflito. Segundo o governador de Luanda, os municípios de Belas, Camama e Kilamba são aqueles em que mais se registam desavenças relacionadas a espaços, alguns dos quais fizeram com que se lançassem, nos últimos dias, informações tidas como apócrifas, acusando um dos vice-governadores da capital.
A maneira desenfreada como se tomou de assalto os referidos espaços fazia prever que se tratava somente de acções que ficariam circunscritas à periferia. Infelizmente, hoje, parece que já não há uma única área de Luanda em que os espaços vazios são protegidos, nem tão pouco aqueles em que, anteriormente, existiam os célebres anúncios ‘reserva fundiária’.
Há muito que se viram esfumar milhares ou centenas de hectares ao longo dos vários municípios de Luanda. Não é em vão que, na periferia, sobretudo, quase que não existem espaços vazios onde se possam colocar infra-estruturas. E os campos de futebol, onde se poderiam descobrir talentos ainda na flor da idade, foram substituídos por estaleiros, residências e outras obras privadas.
A centralidade do Kilamba, no município com o mesmo nome, é hoje um dos piores exemplos de como se pode acabar com um estilo de vida que se previa saudável e mais pacífico entre os cidadãos. A circunscrição, que já era tida como a ex-libris que recebia dignatários de vários países – e apresentados com pompa e circunstância –, é uma verdadeira sombra do que representou um dia.
Quase que já não existem espaços vazios. Nem mesmo ao redor dos prédios, que acabaram por receber outras construções, muitas das quais vão afunilar a rede sanitária e transformar em gueto algumas das zonas afectadas. Conhecendo-se o estado em que ficou a circunscrição, não seria de todo errado se se apurassem os pormenores que ditaram a ocupação desmedida de todos os terrenos na centralidade.
Não se trata dos espaços existentes nos terrenos adjacentes, mas, sim, ao redor dos próprios prédios, onde hoje se está a construir quase tudo sem qualquer desprimor.
O desabafo do governador é pertinente. Por isso, o que se espera é que ainda se possa pôr cobro e salvar algumas ilhas que resistiram aos apetites dos nossos novos latifundiários.






