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OPAÍS

Crise de liderança, o legado à juventude

Jornal Opaispor Jornal Opais
20 de Março, 2024
Em Opinião
Crise de liderança, o legado à juventude

A paz, democracia e exemplos de liderança são das maiores heranças que se podem legar à jovem geração de um país, pois, tal como dizia Franklin Rooselvet, antigo Presidente dos EUA, “nem sempre podemos construir o futuro para nossa juventude, mas podemos construir a nossa juventude para o futuro.”

E depois da paz? Depois da paz, vem a consolidação da nação. Esta consolidação constrói-se sobre valores, os chamados valores da nação.

Estes valores compõem a estrutura basilar dos valores republicanos, e os valores republicanos são garantes do Estado de Direito, e, para nós (angolanos), também garantes do Estado Democrático.

A solidez e robustez dos valores republicanos são o fundamento para se erguer um país próspero, onde todos são partícipes da sua construção, sem distinção alguma.

No entanto, é importante certificarse de que esses valores sejam inequívocos e não se confundam com quaisquer outros, porque, quando os valores são conflitantes, o estado falha, a nação enfraquece, o país retrocede, e os males tomam conta do povo.

A definição do ideal de nação e sua manutenção através das novas gerações, orientando-os com bons exemplos de liderança, é o ponto de partida.

Uma das maneiras de orientar os jovens é mostrando-lhes boas referências, fontes de inspiração para o seu posicionamento social. No nosso panorama político e social, é um exercício exaustivo encontrar boas referências a quem se inspirar… Apesar de raras, existem algumas.

Quando morreu um dos faróis da juventude angolana, Sérgio Luther Rescova, houve reações de tristeza até dos seus adversários políticos.

Estes não o faziam por mera formalidade, percebia-se algum sentimento de tristeza, fruto da sua dimensão política transversal e o impacto juvenil que abrangia muitos jovens até aqueles que não se reviam no seu partido.

É de líderes juvenis como Luther Rescova que, não obstante as suas filiações partidárias, reúnam consensos entre o povo que mais precisamos nos tempos de hoje. Estes, se os localizarmos nos distintos partidos, incentivando-os ao diálogo, podem ser os protagonistas da reconciliação nacional genuína e do futuro promissor que tanto desejamos para o nosso país.

Os mais velhos parece que ainda guardam mágoas entre si, têm estado cada vez mais distantes uns dos outros, descartando o diálogo. Isto é um mau exemplo. A disciplina partidária não deve impedir um jovem de afirmarse.

Uniformidade não resolve desigualdades onde há diversidade. A voz discordante das más políticas não pode somente vir de fora, dentro dos partidos os jovens têm de ter a coragem de alertar as más práticas e contestar agendas sem perspectivas claras do presente e futuro do país.

Os jovens partidários, sendo os que mais têm a possibilidade de serem futuros dirigentes do país, devem tomar consciência da necessidade de que a base para o verdadeiro crescimento e desenvolvimento do nosso país depende da Unidade Nacional, e o seu posicionamento, mais do que responder à agenda do partido, deve antes olhar para a necessidade de fazer de Angola um país melhor para se viver. Sejamos exemplos para as futuras gerações, olhemos para o País antes do Partido.

 

Por: estevão chilala cassoma 

*Professor de Literatura

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