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Cogicultura – As democracias e suas liberdades na construção de África

Jornal Opaispor Jornal Opais
26 de Novembro, 2024
Em Opinião
Cogicultura – As democracias e suas  liberdades na construção de África

Apresente leitura analítica resulta dos modus operandi das democracias e suas liberdades na construção de África. Funda-se por via da relação tridi-funcional entre os seus agentes directos, que são os sujeitos políticos que, por sinal, têm sob sua alçada a responsabilidade da gestão da confiança pública por meio do sufrágio universal, e agentes etnolinguísticos, que representam as vontades democráticas reduzidas em sinalizações segmentadas, por conta da matriz etimológica dos movimentos transformados em partidos, e agentes circunstanciais que se sustentam, inicialmente, pelas lutas das independências que são os traços elásticos das lideranças africanas como pretexto da longevidade governativa.

Por ora, a leitura interpretativa a que se propus estende-se, sobretudo, aos últimos acontecimentos relacionados aos golpes de Estados em África. Por exemplo, de 2020 a 2023 já foram realizados cinco golpes de Estado.

Pensa-se que a base dos referidos actos decorre dos imputes que são sustentados: por via das constantes violações constitucionais, anulação do Estado de direito, sistemas construídos à base da alergia crítica e a materialização ideológica de Estado de pertença afunilam, substancialmente, todos os sinais das democracias e suas liberdades.

que é fundamental e necessário a conjugação articulativa de esforços dos variados vectores sociais para a factual efectivação das democracias e suas liberdades sob as lentes cognitivas e sensitivas na esteira ontológica do imaginário africano.

Todavia, levanta-se a seguinte retórica: quais as razões da significativa bipolarização que estende à pobreza intelectual quando se analisa, na perspectiva sincrónica e diacrónica, o estado de saúde das democracias e suas liberdades no contexto africano? Com a presente incursão discursiva, as democracias e suas liberdades, pretende-se trazer à baila, em forma de contributo inesgotável, a necessidade de um plano alargado de concertações inclusivas, isto é, diferentes sensibilidades sociais e distintas áreas do saber, para que os preceitos e postulados que sustentam as democracias e as suas liberdades não se esgotem em eixos assimétricos que anulam a construção de África.

Entende-se que tal desiderato reconstrutivo, para que a culpabilização e a vitimização sejam estancadas, consubstancia-se na implementação na cultura da conscientização dos agentes directos, no sentido de não se olhar o Estado como mecanismo de empobrecimento, por exemplo, social, cultural, intelectual, económico, científico e industrial.

Logo, as ideologias enraizadas na cultura a manutenção do poder pelo poder, e não pela capacidade de resolução dos problemas, são canalizadoras, por exemplo, de controlo das liberdades, produtoras de injustiças, criações de manipulações políticas e da injecção sistémica da anulação do outro pelo outro.

Por isso, apela-se que as democracias e suas liberdades em África devem implicar que as objeções advindas de actos discursivos, ou não, não sejam entendidas e nem sirvam de malhas correlativas nas relações sociais, culturais e políticas. Pois a pluralidade e contradições epistemológicas são características intrínsecas à natureza das sociedades democráticas.

Quer-se com isto dizer que, em função do actual contexto sustentado, em grande medida também, pela ríspida crispação ideológica, é imperioso que os agentes directos entendam que as democracias e as suas liberdades constituem em si vectores de desenvolvimento, de harmonização, de diálogo permanente e, sobretudo, de respeito mútuo pela diferença do pensar diferente.

Outrossim, impera a necessidade da desconstrução de enredos narrativos que sustentam os golpes de Estados. Pois que, as consequências sociais, políticas ou culturais advindas de actos subversivos atrasam ainda mais a construção das democracias e suas liberdades em África.

 

Por: Hamilton Artes

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