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A sátira da república de selirasday

Jornal Opaispor Jornal Opais
9 de Agosto, 2024
Em Opinião
A sátira da república de selirasday

Por sátira, entende-se como um modo ou gênero na qual se faz uma crítica, em forma cómica ou irónica, dos desvios de comportamentos sociais, morais, bem como à gestão das instituições públicas e privadas.

Segundo Rocha (2006:1), para entendê-la requer uma consciência capaz de observar as incongruências dos vícios e desvios do homem e da sociedade. Na verdade, é uma forma de tecer comentário ou opinião sobre um determinado facto, tanto é que o satirista constrói a sua crítica pautado em determinadas convenções observadas, através da ridicularização pública de uma época, de um lugar, de uma entidade, de uma ideologia ou de um modo de ser e de agir.

Selirasday, jovem rap do Lubango, destaca-se neste aspecto por intermédio dos seus vídeos do tiktok, ao abordar situações sociais, políticas, morais e familiares, fazendo assim, uma sátira dramática (HANSEN, 1991: 4), na qual envolve diálogo com a seriedade e a gravidade da representação moral e icástica da personagem satírica, também conhecido por “meme”, mistura estilística em que a maledicência e a obscenidade da representação caricatural fantástica de tipos deformados.

É comum associar ao feitiço quase todos nossos problemas, inclusive aqueles que resultam da não prevenção médica, por exemplo, o consumo de água não tratada, como consequência, culpamos a pessoa ilesa das doenças que se associam ao feitiço, no que diz respeito à ascensão individual, há pessoas, até por coisa simples, por exemplo, ingressar à faculdade, consultam casas de feitiçarias.

Selirasday, em três vídeos, faz reflexão como a sociedade devia encarar o assédio, abuso e exploração sexual contra menores, por exemplo, o abuso sexual praticado pelo tio de Joana, a exploração sexual contra filha do professor e, por último, o assédio sexual na escola tendo a aprovação como pano de fundo.

A má gestão financeira é um problema da sociedade actualmente, o consumismo exacerbado e a compra desnecessária de alguns produtos, sobretudo, nas quadras festivas e na véspera do salário, ridiculariza a longevidade de Janeiro, uma vez que, para Selirasday, esse mês têm três anos, por outro lado, o suborno, comummente chamado de micha, é um vício dos polícias contra os mototaxistas e motoristas, bem como a “gasosa” e o tráfico de influência nos hospitais públicos, aliás, a morocidade e o atendimento desumano, nesse mesmo vídeo, Selirasday satiriza o pouco profissionais dos estagiários e outros técnicos de saúde: “– Enfermeiro, acho que cortei o pé errado. – Agora vai cortar o certo.”

No que toca à crítica dirigida à religião, Selirasday satiriza o evangelho da prosperidade pregado pelos pastores nos últimos dias, assim como um culto baseado nos dízimos e nas ofertas do princípio ao fim.

A subida do preço do combustível gerou várias opiniões nas mídias e nos bastidores, nessa senda, há os que se beneficiam e os que saem prejudicados, não só a subida do preço do combustível, mas também a subida dos preços da cesta básica e doutros produtos.

Por fim, Selirasday ironiza a governação da República de Angola, concretamente, o Conselho de Ministros, a saber, o ministro da Juventude e Desporto é velho e gordo, a ministra da saúde trata os seus problemas de saúde e dos seus filhos em nos E.U.A.; os filhos da ministra da educação estudam em Portugal; os professores faltam mais nas aulas porque estão à procura de emprego e o ministro do interior vive em Londres.

 

Por: ESTEFÂNIO JOSÉ CASSULE* 

*Estudante de Letras

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