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OPAÍS

A palavra da parada à trincheira

Jornal OpaisPor Jornal Opais
3 de Janeiro, 2024
Em Opinião
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Tempo de Leitura: 3 mins de leitura

O General Altino Santos disse na cerimónia de cumprimentos de fim de ano, na presença dos comandantes dos três ramos das FAA, que a primeira missão dos cidadãos, civis ou militares é lutar pela preservação da paz, porque “a guerra só traz morte, ódio, raiva e destruição”.

O chefe do Estado-Maior General das FAA lembrou que os militares sabem, num saber de experiência feito, que “a paz é o bem mais precioso da Nação Angolana”.

Foram eles que a conquistaram de armas na mão. O General Altino, no seu discurso emocionante, também deixou uma palavra de solidariedade e reconhecimento aos mutilados de guerra que voou da parada para todos os lares, todos os postos, todas as unidades.

E não esqueceu o orgulho de ser angolano e especialmente o orgulho especial de cada militar pelo seu “contributo na defesa dos superiores interesses da Nação Angolana”.

O General Altino Santos fez uma retrospectiva de 2023 e destacou a manutenção da prontidão combativa das tropas, “factor fundamental para defender a Pátria”, mas também a construção e reabilitação de infra-estruturas para melhoria do aquartelamento e de unidades hospitalares em todo o país.

Reafirmou os três vectores que sustentam o seu mandato: o homem, as infra-estruturas e equipamentos No ano de 2024 vão ser desenvolvidos e aprofundados.

Momento emocionante para os militares e civis presentes na cerimónia, aconteceu quando o General Altino, combatente de tantas batalhas vitoriosas, disse emocionado estas palavras tão íntimas de todos os combatentes que participaram na Luta Armada de Libertação, na Guerra pela Soberania Nacional e Integridade Territorial.

Cantemos: Eu vou, eu vou morrer em Angola/ com arma de guerra na mão/Enterro vai ser na patrulha/Granada será meu caixão/ Eu vou, eu vou morrer em Angola/ Com arma de guerra na mão.

Tantas e tantos morreram em Angola com armas de guerra na mão para que a Paz fosse nossa. E a Liberdade o nosso pão. Tantos enterros na patrulha, na emboscada, na base atacada pela aviação inimiga, nas aldeias incendiadas, entre as populações massacradas. Tanto enterro sob as bombas de napalm, os bombardeamentos, as traições, as deserções.

General Altino cantemos hoje os que tiveram como caixão a terra nua, o sol ardente ou foram pasto das feras, porque não houve tempo para o enterro.

A essas e esses Heróis Nacionais devemos a Paz e a Liberdade. Mas também a Dignidade. Eu vou, eu vou morrer em Angola com arma de guerra na mão.

Cantemos! Comandante Hoji ia Henda, “o Leão generoso/que divide o seu pão/e que dá a Vida” como nos disse o Comandante Rui de Matos no seu poema “Procuro um Leão”.

Ele entrou em Angola com arma de guerra na mão. O enterro foi pertinho do rio, lá em Caripande, o caixão, o caixão foi a terra nua. As nossas Forças Armadas começaram a Revolução no dia 4 de Fevereiro com catanas e paus na mão. Subiram mais para Norte e fizeram a Grande Insurreição, com paus, catanas e canhangulos.

Tantos morreram com essas armas de guerra na mão! O tempo transformou-os em pó, cinza e nada. Nem tiveram enterro na patrulha. Nem granada como caixão. Um jovem franzino entrou em Angola com arma de guerra na mão.

Andava de base em base, na Frente Leste, contando as armas de guerra e os guerrilheiros. Nas zonas libertadas dava uma mão aos professores.

E ele fazia textos muito simples para as crianças aprenderem a ler e escrever. Assim nasceram o livro “As Aventuras de Ngunga” e o escritor Pepetela.

Eu vou, eu vou morrer em Angola pela Liberdade. Pela Dignidade. Pela Paz. O General Simione Mucune, acostumado a todas as intempéries que punham em risco a vida, tombou com arma de guerra na mão.

Um militar notável nos vários teatros e bom exemplo de valentia. General Altino, a palavra do General dos Generais neste final de ano voou da sala para a parada, da parada para a trincheira, da trincheira para a memória.

Eu vou, eu vou morrer em Angola/Com arma de guerra na mão/ Enterro vai ser na patrulha/ Granada será meu caixão. Eu vou, eu vou morrer em Angola/ Com arma de guerra na mão.

Os Comandantes Ngonga, Mambi, Ngweto, Zé Pedro, Kussumua, Recordação, Região, Mundo e Tamborete, entre centenas dos nossos nobres Camaradas que tombaram, os heróis que nunca voltaram para casa morreram de armas na mão.

E o nosso primeiro Comandante em Chefe, Agostinho Neto cantou: “Eu vivo nos bairros escuros do mundo/sem luz nem vida”. Eu vou, eu vou morrer em Angola com arma de guerra na mão. Os que morreram não viram a luz acesa da Liberdade nos céus de Angola.

 

Por: ALBERTO KIZUA

*Tenente-General

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