Não temos como nos de fender da morte. Não importam os esforços que possamos fazer, porquanto, se a ideia é fugir dela na forma de doença, aparecerá em meio a um acidente; se tentas precaver-te dos acidentes, visitar te-á por meio de uma negligência médica; se não for por negligência, abraçar-te-á por afogamento.
Ainda assim, se ficares protegi do para que ela não te alcance por meio de nada, o próprio nada é que será o teu carrasco. Ou melhor, não há como fugir da morte, cuja presença se faz sentir em todo o lugar.
Entretanto, essa sensação nunca deve paralisar a nossa vida pelo medo da circulação da morte em todo o lugar por onde passarmos ou estivermos.
A nossa vida precisa de seguir o seu ritmo normal, mesmo sabendo que, na rua, em casa, no táxi, no hospital, na piscina, na motoriza da, na igreja, nos restaurantes, nas escolas, nos tribunais, na cama, na mesa de jantar ou na oração, podem existir lugares e circunstâncias em que cesse a trajectória da nossa vida neste mundo.
O contexto da nossa vida está ladeado de circunstâncias em que, todos os dias, a morte se faz presente. Em milésimos de segundo, segundos ou minutos, pode mos estar a atravessar o abismo da morte: quando um motoqueiro decide exceder o limite de velocidade, quando não respeita as regras básicas de trânsito; quando um empresário coloca viaturas na via pública e se esquece da manutenção, do cuidado na selecção dos condutores e do respeito pela vida humana.
Portanto, é peremptório dizer que a conjugação do verbo «lamentar» só é poética na boca de quem a profere, pois, a quem é dirigida, soará, inevitavelmente, como um soco no estômago. Por isso, apela-se muito ao respeito pela vida humana. Mas os condutores, com aquele espírito capitalista, não obedecem às orientações preventivas, pensando no bem-estar de quem procura pelos serviços de táxi.
Os polícias, que deveriam pôr ordem nisso, são os mesmos que, quando cruzam com um automobilista irresponsável, aceitam ser coagidos com mil kwanzas, deixando-o passar, com os olhos vedados à racionalidade, sem perceber que os míseros mil kwanzas podem ser um passaporte para a morte de uma multidão. O que se pode fazer? Não sei, por que já o dissemos acima: «da morte ninguém foge ou escapa».
Toda via, também é possível não brincar com ela. Os cuidados primários podem não ser uma forma de solucionar todos os problemas de sinistralidade rodoviária, são, porém, melhores alternativas a viver de discursos que se esvaziam na sequência dos nefastos acontecimentos dos últimos tempos: os acidentes que frequentemente carbonizam e vitimizam passageiros. Repensemos as políticas rodoviárias e a preocupação com a segurança nas nossas estradas.
Por: GABRIEL TOMÁS CHINANGA







