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OPAÍS

A mensagem, o mensageiro e a fanfarra

Dani Costapor Dani Costa
16 de Outubro, 2025
Em Cronica de Dani Costa, Opinião

É indiscutível que para muitos não estava sequer nas previsões o desfecho do discurso sobre o Estado da Nação do Presidente da República, João Lourenço, em que anunciou as condecorações dos subscritores dos Acordos de Alvor, na sequência de decisões que se diziam existir e do juízo de valor já feito por muitos cidadãos, entre os quais políticos.

Na verdade, há algum tempo, o que se vai observando a nível da própria Assembleia Nacional, particularmente por políticos da bancada do maior partido da oposição, tem sido a necessidade de se atacar o mensageiro, mesmo sem que se saiba a mensagem que este venha a transmitir.

Basta recuarmos para os três últimos discursos sobre o Estado da Nação, ocorridos em momentos solenes, com a participação de políticos, convidados nacionais e estrangeiros, a actuação de vários segmentos políticos tem sido para a exposição mediática, com camisolas pinchadas, cartazes, apupos e outras formas de manifestação, no sentido de se retirar o máximo de interesse até mesmo por aquilo que possa ser dito.

Nada contra as formas de oposição. E muito menos com os meios que cada um escolhe no sentido de se mostrar mais presente para os cidadãos.

Porém, apesar disso, tem recomendado a prudência, que se esteja atento aos vários cenários, sob pena de depois não se ter argumentos sequer para expor ou contradizer o que vai sendo feito com alguma seriedade e mereça a atenção de quem pretende um dia ser governo, particularmente daqueles que virão a se apresentar como hipotéticos ministros num cenário de alternância.

Embora seja um palco de verdadeiras lutas políticas nos dias de hoje, as redes sociais não podem ser as zonas de actuação preferenciais de quem se julgue alternativa ou sonhe os vôos mais altos, independentemente da importância que se atribua em termos de mobilização.

Antes mesmo do início do discurso, por exemplo, já havia quem estivesse mobilizado e a procurar desconstruir o que nem sequer ainda havia sido dito.

Um olhar rápido aos perfis de alguns políticos, fazedores de opinião e alguns activistas políticos com inclinações que não passam despercebidas apontava para a necessidade de se ‘matar o mensageiro’, retirando a importância do que se poderia anunciar, aliados na velha lógica de que, se cortando a cabeça, poucos se importariam com o conteúdo que este trouxesse.

Embora longo o discurso do Presidente João Lourenço sobre o Estado da Nação, num exercício que visou trazer à tona os vários sectores da vida política e social do país, enunciando realizações já feitas e outras por fazer, houve aspectos que a esta hora deveriam merecer a atenção máxima e um verdadeiro debate da sociedade, encabeçada pelos políticos.

Espanta que as melhorias que se dizem existir na saúde, educação, turismo, economia, os números de empregos criados, os avanços na indústria, as infra-estruturas rodoviárias e desportivas não estejam na berlinda.

Nem estejam a ser escalpelizados pelos responsáveis das áreas económicas e políticas que se apresentam como alternativas, mas prefiram centrar-se na desconstrução mais de actores e não daquilo que um dia teriam de apresentar melhor.

Agora, nem mesmo aquilo que poderia servir de trunfo – a suposta não inclusão de Jonas Savimbi e Holden Roberto – poderá servir de mola para um discurso que já vai exigindo mais engenho.

A não ser que a necessidade de se fazer da Assembleia Nacional um espaço de protestos com gritarias, papéis pinchados e cartões – somente no início dos anos parlamentares – renda sempre mais likes e assobios.

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