De certeza que você já viveu ou testemunhou um momento, numa reunião de trabalho ou num encontro de família, em que uma conversa ganha um tom mais duro e alguém remata com a clássica frase: “Eu digo logo tudo na cara, não tenho filtros. Sou mesmo assim.” É uma cena comum.
E que nos faz parar para pensar. Muitas vezes, olhamos para a frontalidade como um sinal claro de autenticidade e maturidade. Gostamos de pessoas verdadeiras, que não usam rodeios nem rodeiam os problemas. Mas será que, em algumas situações, não estaremos a confundir a necessária sinceridade com uma simples falta de cuidado na forma de comunicar? A verdade é uma ferramenta poderosa.
Quando oferecida com sabedoria, ela orienta, corrige caminhos e ajuda-nos a crescer. Mas pergunto-me: o que acontece quando a verdade é entregue sem empatia? Será que continua a ter o mesmo valor construtivo? Dizer o que se pensa é, sem dúvida, uma virtude. Contudo, a maturidade nas relações, seja na liderança de uma equipa, na educação dos filhos ou na convivência conjugal, talvez não esteja apenas no conteúdo do que dizemos, mas também no tom, no momento e na intenção que carregamos.
Quando sentimos a necessidade urgente de dizer algo de forma dura, vale a pena fazer uma pausa e perguntar a nós próprios: estou genuinamente preocupado em ajudar o outro a evoluir, ou estou apenas a procurar um alívio imediato para a minha própria frustração? Ser directo não precisa de significar ser insensível.
É perfeita mente possível ser firme sem ser agressivo, corrigir sem humilhar e apontar um caminho sem destruir a dignidade de quem nos ouve. Um líder ou um amigo maduro sabe que a forma como entrega uma mensagem pode fechar uma pessoa para sempre ou, pelo contrário, dar-lhe a coragem necessária para mudar.
A verdadeira frontalidade não procura fazer barulho nem deixar feridas; procura construir pontes. Por isso, para a nossa reflexão de hoje, proponho que olhemos com honestidade para a forma como comunicamos com os outros: A tua verdade serve para edificar e ajudar o outro a crescer, ou é apenas um pretexto para descarregares o teu desconforto sem as sumires a responsabilidade pelo tom? Porque, no fim do dia, a sinceridade que transforma é aquela que é dita com respeito.
Por: LÍDIO CÂNDIDO “VALDY”
N’gassakidila.







