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Renamo avisa para consequências para quem não aderir à paralisação de Maputo

Jornal Opaispor Jornal Opais
11 de Dezembro, 2023
Em Mundo
Renamo avisa para consequências para quem não aderir à paralisação de Maputo

A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo, maior partido da oposição), avisou, ontem, que “não se responsabiliza” pelas consequências para quem não aderir à paralisação da cidade de Maputo convocada para esta Segunda-feira, contra os resultados oficiais das eleições autárquicas

“A adesão a esta exortação é voluntária, pelo que declinar a mesma é legítimo, mas o partido Renamo na cidade de Maputo não se responsabiliza por quaisquer impactos sociais”, lê-se no comunicado da Renamo na capital, sem adiantar mais explicações sobre esse aviso.

“No âmbito da luta pela justiça eleitoral”, a Renamo “comunica a todos os munícipes, empresários, estudantes, trabalhadores do sector informal, residentes ou utentes de serviços na circunscrição da cidade de Maputo” que esta Segundafeira “haverá uma mega revindicação popular, visando repudiar os resultados apresentados pelo Conselho Constitucional, denominada ‘Segunda-feira Paralisada: Maputo Faça Justiça Eleitoral’”.

“Nesta senda, exorta a toda população residente na cidade de Maputo e utentes desta no geral a ficar em casa”, acrescenta. Segundo a Renamo, o objectivo “é sensibilizar de forma pacífica as instituições de Justiça de modo a repor à verdade eleitoral, pelo que somos pela manutenção de um ambiente de paz, ordeiro e de uma manifestação no âmbito dos direitos fundamentais dos cidadãos”.

Em 28 de Novembro, numa das dezenas de marchas em Maputo de contestação aos resultados anunciados, centenas de apoiantes da Renamo voltaram a dizer nas ruas que a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) “não vai governar” a capital e com o candidato do partido, Venâncio Mondlane, a apelar para a paralisação da cidade.

“Chegou a altura de o povo provar que é o povo que está no poder”, avisou Venâncio Mondlane, ao dirigir-se à multidão que o aguardava à saída daquela que foi então a primeira marcha de protesto na capital após a proclamação dos resultados eleitorais pelo Conselho Constitucional (CC), quatro dias antes.

“Vamos todos combinar para dois dias parar com tudo nesta cidade”, disse na altura, num apelo a todas as classes profissionais, garantindo que é necessária a “paralisação da economia” para contestar a “fraude” nas eleições autárquicas e “devolver a vitória ao povo”. “A própria Constituição nos permite o direito à resistência.

Havendo ordens ilegais, o povo tem o direito de resistir”, afirmou Mondlane. “Já marchamos muito, já marchamos demais.

Agora chegou a altura de paralisarmos a economia”, advertiu o candidato da Renamo, que continua a assumir-se como “autarca eleito” na capital.

A Renamo deu entrada na Procuradoria-Geral da República (PGR) de uma queixa-crime contra os directores do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) e da Comissão Nacional de Eleições (CNE), por alegada “falsificação e manipulação de resultados”, bem como contra os juízes do CC.

O CC, a última instância de recurso em processos eleitorais em Moçambique proclamou, em 24 de Novembro, a Frelimo, partido no poder, vencedora das eleições autárquicas em 56 municípios, incluindo Maputo, contra as anteriores 64 anunciadas pela CNE, com a Renamo a passar de nenhuma para quatro, e mandou repetir eleições noutros quatro.

Logo no dia seguinte às eleições, Venâncio Mondlane garantiu que tinha vencido o escrutínio na capital, com 55% dos votos, através da contagem paralela realizada com base em todos os editais e actas originais das mesas de voto.

O CC proclamou a Frelimo vencedora das eleições autárquicas em Maputo, mas cortou quase 30 mil votos que tinham sido atribuídos anteriormente ao partido no poder na capital pela CNE.

Segundo o acórdão do CC, a Frelimo manteve a vitória, mas com 206.333 votos e 37 mandatos. Razaque Manhique, cabeça-de-lista da Frelimo, foi proclamado como novo autarca de Maputo, mas em 26 de Outubro, a CNE tinha atribuído a vitória à Frelimo com 234.406 votos e 43 mandatos.

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