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Eduardo Paim:”Nunca me revi no título de Rei da Kizomba”

Bernardo Pirespor Bernardo Pires
8 de Maio, 2026
Em Entrevista
Lito Cahongolo, Daniel Miguel e Carlos Moco

Lito Cahongolo, Daniel Miguel e Carlos Moco

Músico, produtor e arranjista, Eduardo Paim é um dos nomes mais sonantes da música angolana. Referência incontornável, é considerado o precursor da revolução da kizomba, facto que lhe mereceu o título de “Pai da Kizomba”, embora este afirme que não se revê neste título. Na entrevista a este jornal, o artista fala um pouco da sua trajectória, dos momentos que marcaram a sua jornada artística, bem como das projecções para os próximos tempos, uma vez que, neste ano, vai assinalar 50 anos de carreira já em Setembro próximo

Começou o ano de 2026 com algumas notícias tristes, perdas de familiares e pessoas próximas. Pode-se considerar que o ano começou com o “pé esquerdo”?

Não exactamente. Naturalmente, todos os anos começam, no meu entender, sempre com o “pé direito”, porque o início de qualquer ano deve ser encarado como o começo de uma jornada, e o começo deve ser sempre de forma positiva e promissora, embora a vida às vezes nos pregue algumas surpresas não muito agradáveis. Este ano, infelizmente, pelos acontecimentos que já se registaram até agora, dentro do circuito familiar, posso dizer que o balanço está um pouco abaixo daquilo que seria o nível desejado. Tenho consciência de que todos nós nascemos, crescemos, desenvolvemo-nos e chega um momento em que nos retiramos desta vida (morremos), e as partidas deste ano são um bocadinho marcantes negativamente.

E esta situação abala-o de alguma forma?

Muita gente da minha geração, do meu ciclo, está a finalizar o percurso da vida de forma repentina: colegas, familiares, gente muito próxima a partir, e naturalmente, quando isso acontece, o nosso coração reage, e é isso que eu aqui manifesto, num tom de algulamento, porque vislumbrei um 2026 com acontecimentos muito melhores, só que o início está a ser marcado por situações menos boas. Mas, apesar disso, mantenho o optimismo, porque tenho a fé de que os dias que se seguem poderão e deverão ser muito melhores do que os do momento.

Sabemos que recentemente celebrou 62 anos de vida, sendo 50 destes anos dedicados à música. Como é que descreve esta etapa da vida atingida?

É um somatório com uma presença considerável. Completei, no transacto dia 13 de Abril, 62 anos de idade e completo, exactamente neste ano de 2026, 50 anos de estrada musical, uma trajectória iniciada em 1976, na província de Cabinda, quando fazia a 5.ª classe, e que, de lá para cá, nunca parou. É uma jornada com acontecimentos muito marcantes, alguns bons, outros óptimos e outros menos bons, mas tudo faz parte da minha trajectória e orgulho-me de os ter vivido.

Sente-se satisfeito, até ao momento, por tudo o que já fez ao longo da sua jornada artística?

Tenho a nítida convicção de que terei dado, como muitos operários desta nossa praça cultural, algum contributo positivo e que ainda é repercutido, pelo menos, nas últimas três gerações dos nossos artistas. Se olharmos para muitos destes jovens artistas, os seus trabalhos e percursos, acredito que acabo por ser um denominador comum na vida de muitas pessoas, sobretudo na área da música. Portanto, encaro isso como sendo uma grande vitória, uma conquista que deixa frutos determinantes para a sequência da arte angola- na de forma geral, e mais voltada especialmente para a área em que eu mais me situo, que é a arte musical.

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