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Petrolíferas chinesas visitam Angola para definirem áreas de exploração

Patricia Oliveira por Patricia Oliveira
19 de Março, 2024
Em Economia

Delegações de duas empresas petrolíferas chinesas visitam Angola nos próximos dias para identificarem áreas a investir, depois dos acordos assinados ontem, em Beijing, com a delegação angolana liderada pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo

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Tratam-se das empresas China National Petroleum Corporation (CNPC) e CNOOC Internacional Limitada, cujas delegações pretendem constatar “in loco” as potencialidades de Angola na área dos hidrocarbonetos. Na reunião que manteve com a delegação angolana, o presidente da CNOOC Liu Yongjie disse que a visita da empresa chinesa ao nosso país visa encetar discussões à volta do Bloco 24 e de outras oportunidades de exploração petrolífera.

No caso da CNCE, o seu presidente, Mo Dingge, disse estar disposto a cumprir os compromissos já assinados com a Sonangol e a avançar com outros, com base em uma parceria que permita ganhos recíprocos. A delegação da CNCE virá a Angola para aprofundar conhecimentos e decidirem sobre as futuras áreas de cooperação. Na senda dos encontros com as empresas petrolíferas chinesas, Diamantino Azevedo visitou a SINOPEC, que já actua em Angola, para pedir “maior presença da empresa em Angola e actuação em  novos projectos para materializar a orientação dos dois presidentes, João Lourenço e Xi Ji Ping, pelo facto de a Sonangol e a congénere chinesa serem empresas estratégicas nos dois países”, sublinhou. Acrescentou que “nós recebemos com muito agrado a disponibilidade da SINOPEC em investir mais no Upstream de Angola.

Há alguns blocos que estão disponíveis para negociações directas em qualquer momento”, destacou o governante, acrescentando que “gostaria que esse investimento não fosse só para os blocos com um grande potencial, mas que olhassem também para outros blocos que necessitam de investimento. O presidente da SINOPEC, Ma Yongsheng, augura cooperação vantajosa para as partes no desenvolvimento de negócio em Angola, referindo que Angola é dos países com quem cooperam intensamente no domínio do petróleo e gás e “aceitam o desafio de cooperar em novos domínios de energia e afins”.

Por seu turno, o presidente do Conselho de Administração da Sonangol informou que existe uma parceria com a petrolífera chinesa já há algum tempo e que vai desde a exploração, produção e até à comercialização. “Penso que, com a orientação agora recebida, vamos aumentar esta relação. Estamos aqui para marcar realmente o nosso compromisso. Vamos precisar de transformar em actos aquilo que poderá ser a nossa relação futura”, sublinhou o presidente desta instituição.

Necessidade de tecnologia para exploração Na opinião do economista Henrique Pascoal, Angola busca cooperar com empresas chinesas no sector petrolífero pela necessidade que a indústria nacional tem de tecnologia de ponta para exploração, bem como a exploração de suas vastas reservas. Henrique Pascoal acredita que a cooperação entre os dois países é benéfica, pelo facto de a China oferecer recursos financeiros substanciais e experiência avançada nesse sector, tornando-se num parceiro atractivo para Angola.

“O acesso ao mercado chinês, que é um dos maiores importadores de petróleo globalmente, representa uma oportunidade crucial para assegurar uma demanda estável e lucrativa para o petróleo angolano”, disse. O economista referiu que a decisão de Angola de se retirar da OPEP reflecte sua busca por maior autonomia na formulação de sua política energética e acredita que a China seja o parceiro ideal, olhando para o volume de investimento do gigante asiático em Angola que também poderá aliviar as possíveis tensões entre os dois governos em função da dívida que Angola tem com a China.

No seu parecer, ao desassociar-se da OPEP, Angola adquire flexibilidade para ajustar a sua produção conforme suas próprias necessidades e objectivos económicos, sublinhando que tal mudança pode acarretar implicações diplomáticas e comerciais, visto que a OPEP desempenha um papel crucial na coordenação das políticas energéticas globais e na salvaguarda dos interesses dos países produtores de petróleo. “Enquanto a parceria com a China oferecer oportunidades significativas para o desenvolvimento do sector petrolífero de Angola, a saída da OPEP também suscita questionamentos sobre a influência internacional e a cooperação energética do país”, explicou.

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