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BIENAL DE LUANDA: Jovens africanos intensificam intercâmbio cultural “mergulhando” na história de Angola

Jornal Opaispor Jornal Opais
27 de Novembro, 2023
Em Cultura, Em Cartaz
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Tempo de Leitura: 3 mins de leitura
BIENAL DE LUANDA: Jovens africanos intensificam intercâmbio cultural “mergulhando” na história de Angola

João Lourenço, Presidente da República de Angola, abre 3ª Bienal de Luanda

No âmbito das actividades culturais da Bienal de Luanda, realizada entres os dias 22 e 24 do mês em curso, dezenas de jovens, provenientes de vários países africanos, efectuaram, na última Sexta-feira, 24, visitas a alguns monumentos históricos da cidade capital

A actividade, que visou promover o intercâmbio cultural entre jovens, acadêmicos e entidades governamentais, teve no seu roteiro passagem pelo Memorial Dr. António Agostinho Neto (MAAN) e o Museu de Histórias Militares, ambos situados na baixa de Luanda.

Nestes locais, os participantes receberam explicações, em visita guiada, sobre alguns dos factos mais marcantes da história de Angola e o contributo de personalidades que estiveram envolvidas no processo de luta pela Independência Nacional.

Para Genila Hiel, jovem da Tanzânia, a Bienal, em especial a visita, foi uma grande oportunidade de poder explorar de perto a história do povo angolano, compreender as fases que a Nação passou para se afirmar como um povo independente. Sublinhou que é uma história semelhante a dos demais países do continente que também lutaram pela sua independência e soberania.

Descreveu a visita como sendo também uma óptima ocasião para, entre jovens, poderem trocar experiências, falar sobre as suas vivências, diferenças culturais e conciliar ideias, e visões para o desenvolvimento da África Subsariana.

“Poder estar aqui com jovens de outros países, ouvir um pouco sobre a história de Angola e daqueles que contribuíram para a sua soberania, enquanto povo livre e independente, foi uma experiência única e excepcional, que vai ficar patente em nós para o resto da vida”, frisou.

Acrescentou de seguida que “acho que vamos poder tirar subsídios que vão nos servir de guia para a visão de uma África que todos desejamos, próspera, com desenvolvimento e livre das guerras e da fome”.

Por seu turno, a jovem Sheldon Maduela, de Moçambique, considerou como sendo uma iniciativa positiva a organização de eventos internacionais que juntam jovens para discutirem sobre o presente e o futuro do continente.

Contudo, defendeu maior engajamento, por parte dos jovens e dos governos, no sentido de se cultivar a paz e o reforço dos laços históricos e culturais.

Quanto à visita guiada aos monumentos acima mencionados, salientou que o contacto com a história permite que a juventude se mantenha firme e na mesma linha que a dos antepassados que se bateram para a libertação do continente.

Já o jovem Jair Pereira, que integrou a comitiva angolana, considerou a visita como sendo bastante pertinente tendo em conta que a juventude em causa está desafiada a cultivar o diálogo da paz e da prosperidade no continente.

“Nós jovens temos a missão de salvaguardar a paz e a independência que os mais velhos conquistaram. Por tanto, esta visita está-nos a dar uma outra visão das coisas e dos nossos propósitos, remetendo-nos aqui à união, ao desenvolvimento e a algumas questões de entendimento entre povosirmãos e de preservação dos nossos laços culturais”.

Preservação das vestes africanas

Presente também na visita, o soberano António Muana-Uta Kabamba VII, rei do Uíge, defendeu que a juventude tem a responsabilidade de ajudar a preservar a cultura africana, desde as vestes, os monumentos e os objectos culturais considerados sagrados.

Segundo aquela autoridade tradicional da região Nordeste de Angola, os gestos de preservação da cultura começa pela forma como a juventude se apresenta, sobretudo em eventos internacionais.

Para o soberano, os jovens deviam fazer-se sempre representar de vestes de trajes africanos, de modo a manter sempre viva as culturais das nações a que pertencem.

Por outro lado, apelou igualmente às entidades governamentais a criarem mecanismos que possam promover a cultura da paz e do diálogo entre os jovens, as organizações civis e o próprio governo.

“A cultura de greve e manifestação que temos visto em todos os cantos, não pode ser uma prática que nos caracterize, enquanto angolanos e africanos que somos”, frisou.

Acrescentou de seguida que “precisamos ter o hábito de resolver os nossos problemas com diálogo, e isso é uma responsabilidade dos jovens e do nosso governo porque nós, enquanto autoridades tradicionais, também temos feito a nossa parte”.

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