O ministro dos Transportes, Ricardo Viegas d’Abreu, propôs o estabelecimento de um mecanismo de financiamento reembolsável para apoiar a abertura de novas rotas aéreas no continente africano, tendo como objectivo prioritário assegurar a conectividade entre todas as capitais africanas.
A iniciativa, apresentada durante o Fórum de Investimento da África Lusófona, realizado nos dias 26 e 27 de Outubro, na Ilha do Sal, em Cabo Verde, prevê a partilha dos custos iniciais das novas ligações, com reembolso dos montantes disponibilizados logo que as rotas atinjam níveis de sustentabilidade económica.
A proposta procura responder a um dos principais desafios da expansão da conectividade aérea em África: os encargos financeiros e os riscos associados à abertura de ligações que, embora relevantes para a integração regional, podem necessitar de um período inicial de desenvolvimento até atingirem condições de viabilidade comercial.
O mecanismo defendido pelo Ministro permitiria distribuir esses encargos entre as entidades participantes, criando condições para o lançamento de novas rotas e estabelecendo o princípio de recuperação dos montantes investidos à medida que as operações alcançassem a sustentabilidade económica.
“O nosso primeiro objectivo é conseguirmos ligar todas as capitais africanas. Para isso, precisamos de mecanismos que permitam partilhar os custos iniciais de abertura de novas rotas, com a possibilidade de reembolso logo que estas atinjam níveis de sustentabilidade.
Trata-se de criar condições para que a conectividade aérea africana avance de forma economicamente responsável e sustentável”, declarou Ricardo Viegas d’Abreu, Ministro dos Transportes.
A iniciativa mereceu acolhimento favorável por parte do ministro da Economia, Comércio, Indústria e Transição Digital de Cabo Verde, António José Medina dos Santos Batista, evidenciando o interesse em explorar soluções de cooperação que contribuam para ultrapassar os constrangimentos financeiros associados à abertura de novas ligações aéreas e reforçar a conectividade no continente africano.
Embora apresentada num Fórum dedicado à África Lusófona, a proposta tem um alcance continental, procurando contribuir para uma maior integração dos mercados africanos, facilitar a circulação de pessoas e reforçar as oportunidades de comércio, investimento e turismo.
Neste contexto, o ministro destacou igualmente o início da ligação aérea entre Luanda e a cidade da Praia, em Cabo Verde, previsto para 12 de Dezembro de 2026, pela TAAG – Linhas Aéreas de Angola. A abertura das reservas está prevista para esta quarta-feira, 28 de Outubro, assinalando uma nova etapa no reforço da conectividade entre Angola e Cabo Verde e na aproximação dos mercados lusófonos.
A nova ligação integra a estratégia de expansão da conectividade aérea de Angola e deverá contribuir para facilitar a circulação de passageiros, estimular as relações económicas e comerciais e criar oportunidades de cooperação, nomeadamente nos sectores do turismo e dos serviços.
Corredores logísticos como instrumentos de integração e desenvolvimento
No domínio das infra-estruturas e da logística, o Ministro dos Transportes apresentou a experiência de Angola na transformação dos corredores de transporte em corredores de desenvolvimento, destacando a importância de articular investimento público, participação privada e modelos de concessão na concretização de projectos estruturantes.
Ricardo Viegas d’Abreu defendeu uma abordagem integrada dos principais corredores africanos, designadamente o Corredor do Lobito, o TAZARA, os corredores de Nacala e da Beira e o Corredor Central, sublinhando que estas infra-estruturas não devem ser encaradas exclusivamente numa lógica de concorrência, mas também como activos complementares ao serviço da integração regional, da facilitação do comércio e da dinamização das economias africanas.
Neste contexto, destacou a importância da bancabilidade dos projectos, da mobilização de financiamento e da criação de condições que permitam atrair operadores e investidores privados, assegurando a viabilidade económica e a sustentabilidade das infra-estruturas.
O Ministro identificou quatro componentes fundamentais para a concretização destes investimentos: a existência de infra-estruturas e resultados efectivos, o capital público, o capital privado e o investimento dos concessionários.
A experiência do Corredor do Lobito foi apresentada como exemplo da articulação entre infra-estruturas de transporte, modelos de concessão e investimento produtivo, evidenciando o potencial dos corredores logísticos para promover a integração das cadeias de valor regionais, dinamizar a actividade económica e reforçar a ligação dos mercados do interior do continente aos portos e aos circuitos internacionais de comércio.
Encontros institucionais e oportunidades de investimento
À margem do Fórum, o Ministro dos Transportes manteve encontros com o Ministro da Economia, Comércio, Indústria e Transição Digital de Cabo Verde, António José Medina dos Santos Batista, e com o Ministro da Planificação e Desenvolvimento de Moçambique, Salim Valá.
A agenda incluiu igualmente contactos com representantes de instituições financeiras internacionais e operadores privados, nomeadamente Thierry Ligonnière, da VINCI Concessions, Abdul Kamara, do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), e Ethiopis Tafara, Vice-Presidente da Corporação Financeira Internacional (IFC) para África.
Os encontros permitiram abordar oportunidades de cooperação e investimento em Angola, com particular incidência nos sectores dos transportes, logística e turismo, bem como explorar possibilidades de parceria com instituições financeiras internacionais e operadores privados para o desenvolvimento de projectos estratégicos.
A participação de Angola no Fórum de Investimento da África Lusófona colocou em evidência a importância de associar a integração regional a mecanismos concretos de financiamento, à mobilização de investimento e à criação de condições para o desenvolvimento de infra-estruturas e ligações de transporte economicamente sustentáveis.








