A expansão dos serviços bancários para as zonas mais afastadas dos grandes centros urbanos, aliada ao reforço da educação financeira, foi defendida por especialistas como uma das medidas necessárias para aumentar a inclusão financeira em Angola.
A posição foi manifestada durante o Summit Normas & Banca +, realizado no fim-de-semana, em Luanda, onde os participantes destacaram a importância de divulgar as normas que regulam o sistema financeiro, reforçar a supervisão bancária e melhorar o conhecimento dos cidadãos sobre os produtos e serviços disponibilizados pelas instituições financeiras.
O coordenador do evento, Manuel Guimarães António, afirmou que a iniciativa visa promover uma melhor compreensão das regras do sistema financeiro, tanto entre os profissionais do sector como junto dos consumidores.
Segundo o responsável, não basta que as normas sejam conhecidas pelas instituições financeiras. É necessário que os cidadãos que recorrem aos serviços bancários também as compreendam, de modo a defenderem os seus direitos e contribuírem para a sua aplicação efectiva.
Manuel Guimarães António defendeu ainda que a literacia financeira deve ser acompanhada pela educação jurídica e financeira, uma vez que saber gerir o dinheiro não significa, necessariamente, conhecer as regras aplicáveis aos produtos e serviços bancários.
Acesso aos serviços financeiros continua a ser um desafio
Por sua vez, Geraldo Dala, quadro do sector bancário convidado para presidir e dirigir os trabalhos do evento, considerou que a inclusão financeira continua a representar um dos principais desafios do sistema financeiro angolano.
Na sua avaliação, a concentração dos serviços bancários nas capitais e nas grandes cidades limita o acesso de muitas comunidades a instrumentos financeiros básicos, tornando necessário alargar a oferta de produtos e soluções às regiões mais afastadas dos principais centros urbanos.
O responsável defendeu que a expansão dos serviços deve ser acompanhada por iniciativas de educação financeira, para que os cidadãos compreendam o funcionamento dos produtos, os custos, os riscos e as responsabilidades associados à sua utilização.
Geraldo Dala apelou igualmente a um maior envolvimento dos bancos na educação financeira e no financiamento da economia real, defendendo que o apoio não deve ficar limitado a projectos que já apresentam estruturas empresariais consolidadas.
O responsável considerou também importante o reforço da fiscalização pelo Banco Nacional de Angola (BNA), enquanto entidade reguladora e supervisora, para incentivar as instituições financeiras a alargarem a sua actuação e a contribuírem para a inclusão financeira.
Qualidade dos projectos condiciona acesso ao crédito
O acesso ao financiamento, sobretudo por parte dos jovens empreendedores, foi outro dos assuntos abordados durante o encontro.
Geraldo Dala apontou fragilidades na elaboração e na qualidade das informações apresentadas em alguns projectos submetidos à banca comercial como factores que podem dificultar a avaliação dos riscos e reduzir as possibilidades de concessão de crédito.
Apesar da existência de mecanismos de apoio, como o Fundo de Garantia de Crédito, o responsável defendeu que os empreendedores precisam de melhorar a preparação dos seus projectos e compreender as exigências das instituições financiadoras.
Segundo o quadro bancário, os bancos não podem ignorar os riscos associados à concessão de crédito, uma vez que trabalham com recursos confiados pelos seus clientes e por outros agentes económicos.
Geraldo Dala alertou ainda para situações em que os valores concedidos para uma determinada actividade são utilizados para finalidades diferentes das inicialmente apresentadas, comportamento que, segundo afirmou, pode comprometer a execução dos projectos e aumentar os riscos de incumprimento.
Por essa razão, defendeu o reforço da formação dos jovens empresários, com destaque para a elaboração de planos de negócio viáveis, o cumprimento das obrigações financeiras e a utilização dos recursos de acordo com os objectivos aprovados.
Educação financeira também deve acompanhar a digitalização bancária
A segurança digital e a modernização dos serviços bancários também estiveram entre os temas discutidos durante o evento.
Geraldo Dala reconheceu os investimentos realizados pelas instituições financeiras em infra-estruturas e mecanismos de segurança, mas considerou que a modernização deve ser acompanhada por iniciativas de educação financeira dirigidas aos consumidores.
Na sua perspectiva, os cidadãos precisam de compreender os riscos associados à utilização dos canais digitais, de modo a recorrerem aos serviços financeiros com maior segurança e responsabilidade.









