O furto e roubo de gado bovino nas províncias do Namibe, Huíla e Cunene continua a preocupar as autoridades administrativas, policiais, tradicionais e os criadores, que clamam por soluções urgentes. Entretanto, a criação de condições para garantir maior segurança hídrica é apontada como uma das medidas para combater o fenómeno, um assunto abordado durante o XXVI Encontro Nacional das Comunidades, encerrado, na passada sexta-feira, no município de Ombadja.
O vice-governador do Namibe para o sector político, social e económico, Abel Capitango, disse, em Ombadja, que o Governo tem vindo a trabalhar na mitigação dos efeitos da seca, provocados pelas alterações climáticas que assolam o mundo.
Entre os vários programas criados pelo Executivo destaca-se o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA), que prevê a construção de barragens e respectivos canais. As primeiras, de Ndue e Calucuve, na província do Cunene, foram recentemente inauguradas pelo Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço.
“O roubo e furto do gado é um tema que está nas agendas dos Governos do Sul de Angola. Há pouco tempo, realizámos um encontro de alto nível com as províncias do Sul de Angola, mais Benguela, onde o furto e roubo de gado foi o principal tema”, afirmou.
Segundo Abel Capitango, existe uma rota utilizada pelos autores destes crimes, que passa pelas províncias da Huíla, Cunene e Namibe, com o gado furtado e roubado a ser escoado por Benguela para os grandes mercados do país.
“É um combate que exige as sinergias de todas as províncias e ainda bem que os senhores governadores têm isso nas suas agendas”, sublinhou.
O governante acrescentou que já estão a ser adoptadas medidas para reduzir o fenómeno, com destaque para os julgamentos tradicionais, o controlo da circulação do gado e o envolvimento dos órgãos que trabalham na administração da Justiça.
“Uma das medidas que está subjacente a estas práticas é que, se criarmos segurança hídrica nas nossas comunidades, se tivermos pasto e água, facilmente teremos o gado junto das comunidades e dificilmente teremos grandes relatos de casos de roubo e furto de gado bovino”, afirmou.
O XXVI Encontro Nacional das Comunidades, realizado de 30 de Setembro a 1 de Outubro, contou com a participação de 243 pessoas, das quais 115 mulheres, provenientes das províncias de Luanda, Icolo e Bengo, Bengo, Benguela, Huambo, Namibe, Huíla, Malanje e Zaire.
POR: João Katombela, no Cunene







