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Angola: Caminhos para uma economia estável e desenvolvimento social inclusivo num contexto de transição pós-petróleo

Jornal OPaísPor Jornal OPaís
22 de Agosto, 2025
Em Opinião
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Tempo de Leitura: 3 mins de leitura
Angola: Caminhos para uma economia estável e desenvolvimento social inclusivo num contexto de transição pós-petróleo

Angola enfrenta hoje o desafio complexo de luta contra o desemprego elevado e a dependência quase exclusivamente do petróleo, num cenário de subida dos preços dos combustíveis e outros problemas sociais.

O país alcançou um crescimento económico modesto recentemente, mas a vulnerabilidade a choques externos, principalmente pelo sector petrolífero, mantém o desenvolvimento social e económicos instáveis, com alta inflação e perda do poder de compra da população.

Para mitigar o desemprego, especialmente entre os jovens licenciados que aumentaram nos últimos anos, e para garantir uma economia mais estável e socialmente digna, o executivo deve adotar algumas medidas como: – Diversificação económica acelerada: Apostar fortemente em sectores não ligados ao petróleo, como agricultura, mineração, indústrias de transformação, telecomunicações e digitalização, que têm potencial para gerar empregos e reduzir a dependência dos choques petrolíferos.

Essa diversificação é estratégica para sustentabilidade económica e para ampliar a base de receitas do Estado. – Investimento em capital humano e qualificação profissional: Adaptar o sistema educacional para atender às necessidades do mercado de trabalho, promovendo formação técnica e profissionalizante em sectores com maior concentração de mão de obra, incluindo agricultura e construção.

Os programas governamentais como o Plano de Acção para a Promoção da Empregabilidade (PAPE) devem ser expandidos e fortalecidos, criando oportunidades para jovens licenciados e outros grupos vulneráveis.

– Reforma fiscal e incentivo ao consumo: Reduzir progressivamente os impostos, especialmente para pequenos e médios empresários, para estimular a criação de novas empresas e a geração de empregos formais, ampliando o poder aquisitivo do cidadão e a circulação económica dentro do país.

-Fortalecimento das infraestruturas produtivas: Garantir a eficiência e o acesso de bens públicos essenciais ao sector produtivo, como electricidade e água, para reduzir custos operacionais e melhorar a competitividade das empresas locais, promovendo uma maior inclusão produtiva regional.

– Política monetária e controle da inflação: Manter uma política monetária rigorosa que contenha a inflação, evitando a perda do poder de compra da população, especialmente diante do aumento dos combustíveis, para preservar o padrão de vida das famílias e o consumo interno.

– Maior cooperação entre políticas económicas e sociais : Projectar e implementar políticas integradas que alinhem o crescimento económico com a proteção social, para evitar o aumento da pobreza, investir na saúde e na educação, e promover a inclusão social ampla.

Este conjunto de acções não só poderá diminuir o desemprego, mas também revitalizar a economia angolana num cenário póspetrolífero, garantindo o desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida para todos os cidadãos.

Estas recomendações devem ser rompidas com governo político e coerência estratégica, aproveitando o momento actual de aumento no número de licenciados e nas concessões em todo o país para fomentar uma economia que cresce com justiça social e redistribuição de renda.

Esse será o caminho para devolver o poder de compra ao povo angolano, garantindo uma economia estável e um desenvolvimento social digno para todos.

Por: DIOGENES LENGA

*Economista

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