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É de hoje…A quem beneficia o dinheiro arrecadado nos mercados?

Dani Costapor Dani Costa
7 de Março, 2025
Em Opinião

Lá vão os anos em que se acreditava que a cólera fosse ser coisa do passado, devido aos estragos causados nas décadas de 80 e 90 do século passado. Numa altura de guerra, em que havia poucas possibilidades de o Executivo atender questões básicas como o fornecimento de água, energia e outros serviços que pudessem melhorar a qualidade de vida dos angolanos. Infelizmente, em pleno século XXI, em que as prioridades seriam outras, nos debatemos com o mesmo problema.

Até ao momento, pelas estatísticas divulgadas, mais de 200 pessoas terão perdido a vida na sequência da doença, cujo epicentro saiu do então bairro Paraíso, em Luanda, e se vai alastrando para outras províncias do país. Sabe-se quais são as causas, com a falta de água e o difícil saneamento básico entre as principais.

E as formas de contágio sugerem que não existma amontoados, principalmente naquelas áreas já precárias, o que fez com que se partisse nos últimos dias para o encerramento do mercado da Mabunda, em Luanda.

Com uma crise económica que perdura há vários anos, o sector informal tem sido a bóia de salvação para milhares de angolanos. Alguns recorrendo à venda ambulante, apesar da ilegalidade e com os efectivos da Polícia Nacional e das áreas de fiscalização das administrações municipais, e outros nos mercados a céu aberto espalhados a nível do país.

Existem várias Mabundas por aí, ou seja, mercados informais – ou formais, se assim entendermos, onde os populares exercem as suas actividades e a presença das administrações municipais sempre foi patente, sobretudo com a cobrança de taxas de maneira quase impiedosa. É assim na Mabunda e nos demais mercados.

E sabe-se desde então que alguns destes se constituem em autênticas máquinas de facturação, obtendo receitas que ultrapassam as dezenas de milhões de kwanzas, enriquecendo não só os cofres dos seus responsáveis, mas criando até clivagens entre administradores para o controlo dos mesmos.

É lastimável o estado em que muitos se encontram, não podendo sequer atender questões básicas, como o ordenamento e o acesso a serviços de água e limpeza, o que indica desde já alguma falta de lisura no que é colectado dos vendedores e o destino a que têm sido dados. Aqueles que frequentam os maiores mercados a céu aberto de Luanda e noutras províncias testemunham inúmeras vezes as cobranças feitas.

São poucos os vendedores que escapam a atenção dos fiscais destes locais, com fichas e outros documentos para comprovação de pagamentos, mas quase nenhum deles dispõe de sanitários em condições ou um espaço adequado para se depositar o lixo, por exemplo. Por isso, quase sempre, os populares se perguntam: afinal, a quem beneficiam os dinheiros arrecadados nos mercados?

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