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É de hoje…Ruídos e miudezas

Dani Costa por Dani Costa
27 de Fevereiro, 2025
Em Opinião

Embora se acredite que a melhor arma seja o ataque, a verdade é que as grandes jogadas acabam por ser construídas a partir de trás, aí onde se pensa que eventualmente não venha nenhum perigo na linguagem desportiva. É uma visão que acaba por se estender para várias áreas, incluindo até na política.

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Quando há dias vi um anúncio da associação de empresários ligados à agropecuária justificando o recuo das medidas que seriam tomadas para impedir que partes de frango entrassem no país, questionei-me sobre o que se estava a passar.

Antes, ironicamente, imaginei num cidadão que desabafara há dias sobre o assunto, dizendo que nos estavam a tirar o petisco. Se para ele é assim, porque certamente consegue ter acesso às outras partes do frango ou outras aves, existe quem tenha nas vísceras, carcaças e outras unidades produtos principais para as refeições que realizam.

As imagens que surgem dos armazéns que comercializam tais produtos assim demonstram. Embora pareça depreciativo para muitos, as asinhas, carcaças, patas, fígados, moelas e outros são partes dos componentes de uma cesta básica de sobrevivência que, infelizmente, os empresários nacionais não têm condições para contrapor com outros produtos alternativos.

Apesar dos vários investimentos feitos – e financiamentos que durante anos saíram do Banco de Desenvolvimento de Angola e outros – o país ainda está aquém da produção de uma oferta que pudesse contrapor o que vem de fora e comercializado maioritariamente por empresários estrangeiros, alguns dos quais pelo lucro não lhes causa qualquer repulsa, por exemplo, em vender cabeças de galinhas ou ossadas de frango.

Quando saiu a notícia da hipotética interdição dos referidos produtos, a partir do próximo dia 15, a preocupação que emergiu foi sobre se teríamos ou não capacidade de produção para colmatar o vazio que se iria criar.

Ironicamente, nem mesmo as associações ligadas ao ramo possuem dados concretos sobre o número de frangos que se produz no país, uma situação que se revela preocupante.

Lembro-me, há muitos anos, de se ter investido muito no sector avícola, com prognósticos que apontavam para a possibilidade de Angola se tornar autossuficiente num curto espaço de tempo.

Mas os actuais indicadores parecem mostrar que estejamos distantes, o que nos obriga a reflectirmos seriamente sobre a nossa independência económica e a segurança alimentar. Até dia 15, há quem estará à espera de uma interdição.

Outros devem ficar pelo comunicado da associação, que diz ter existido um mal-entendido com um documento interno do Ministério da Agricultura. Mas, ainda assim, esses ruídos são suficientes para revermos os projectos e as metas anteriormente traçadas para sabermos correctamente para onde pretendemos chegar.

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