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As Lições do Mestre Futebol

Jornal OpaisPor Jornal Opais
17 de Abril, 2024
Em Opinião
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Tempo de Leitura: 3 mins de leitura
As Lições do Mestre Futebol

Depois da inesperada derrota do Petro de Luanda diante do TP Mazembé da República Democrática do Congo em pleno Estádio 11 de Novembro, pensei nas lições, mais algumas, que o futebol pode ensinar a uma nação e a um povo que delas tão bem precisam. Quem vê, mesmo ocasionalmente e por breves segundos, os jogos do Girabola ou até mesmo da selecção nacional, percebe o divórcio que já dura há vários anos entre os adeptos e o desporto no geral e o futebol em particular.

As imagens confrangedoras das bancadas (quase) totalmente vazias dão vergonha e nos deviam fazer reflectir sobre o que se vai fazendo por cá em matéria de desporto. Como se sentem os artistas da bola cada vez que entram para o terreno de jogo e não vêem mais do que meia dúzia de pessoas num estádio com capacidade para mais de 50 mil como é o caso do 11 de Novembro? E como pensam os dirigentes desportivos manter a sustentabilidade dos clubes e das competições se falta o essencial: o apoio do público? Vez sim, vez também, pergunto-me: Para quem se exibem os clubes angolanos cada vez que jogam?

Quanto angariam estes ou até mesmo a Federacão Angolana de Futebol com a venda de ingressos para os jogos ou com a venda de merchandising? Pergunto-me e lembro-me do Twente, clube holandês de futebol, cuja maior fonte de receitas na época futebolística 2022/2023 foi a venda de cerveja e de comida no seu estádio, superando até mesmo as receitas obtidas com a venda de jogadores. Isso só se consegue com público nos estádios e, sobretudo, com um público agradado com o espectáculo que assiste. Até porque, no futebol, o mais importante ainda é resolver os problemas dos adeptos.

O Petro, por mérito próprio, vai sendo a única equipa a contra riar essa triste realidade. Graças a bons jogos, algumas boas exibições e alguns bons resultados, o Petro vai reconquistando o seu público e ganhando a simpatia até de quem não é seu adepto. Não é por acaso que as duas maiores enchentes em jogos de futebol dos últimos anos foram protagonizadas pelo Petro de Luanda. E, aqui, surge a primeira lição do mestre futebol: quem quer ter o apoio do público tem de, obrigatoriamente, mostrar resultados. De nada valem os apelos ao público para encherem os estádios, para apoiarem as equipas e os atletas, nem servem as constantes críticas e acusações de falta de patriotismo devido a um maior apoio aos clubes estrangeiros.

O futebol é (e tem de ser) um espectáculo feito para entreter, para agradar e satisfazer o povo com vitórias. O público só será fiel se estiver satisfeito e feliz. Tentar conquistar apoio popular sem resultados positivos é mera utopia. No entanto, e como que a querer justificar a máxima segundo a qual no melhor pano cai a mancha, os resultados daqueles dois jogos não são de feliz memória. A frágil ligação que se criou pode rapidamente ser perdida à medida que o encanto vai dando lugar à desilusão. Um adepto, expressando a sua frustracão, sugeriu, numa rede social, que o problema do Petro talvez seja mesmo a incapacidade de jogar num estádio lotado, deixando a entender que o melhor seria o público deixar de ir ao estádio.

Parece contranatura, mas os adeptos têm o direito de pensar o que quiserem e cabe aos artistas da bola mostrar que não é o que se pensa. Contudo, antes que o façam, permitam-me tirar daqui a segunda lição do mestre futebol semelhante à primeira: a falta de resultados afasta as pessoas, até mesmo os adeptos mais antigos e fervorosos. O futebol mostra-nos que se, até determinada altura, os resultados não começam a aparecer, se os objectivos não são alcançados, se as pessoas não têm prazer algum no espectáculo que lhes é dado em detrimento do espetáculo que elas realmente gostariam de ver e até de fazer parte, não é possível engajá-las numa causa por muito tempo.

As pessoas querem sentir-se parte de um todo, querem participar, querem dar o seu contributo e sentir que o seu engajamento e a sua participação são apreciados e que conduzem ao sucesso de todos. Portanto, a lição é simples, se as pessoas não participam é porque não gostam do que estão a ver ou a viver. E isso serve tanto para o futebol como para todas as outras áreas da vida. O Petro tem pela frente um grande desafio: o de manter os adeptos que conquistou. Os próximos jogos nas competições da Confederação Africana de Futebol serão determinantes. Ou ganha e terá os adeptos consigo, ou perde e vai ter de vê-los partir, um a um. É assim o futebol, é assim a vida. Aprenda quem quiser!

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