O especialista em medicina intensiva Antero Fernandes afirmou, hoje, na cidade de Moçâmedes, capital da província do Namibe, que Angola possui o sistema de cuidados intensivos mais desenvolvido entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). Apesar dos avanços, defendeu a necessidade de reforçar os investimentos em tecnologia e na formação de quadros nacionais especializados nesta área.
João Katombela, no Namibe
À margem do 1.º Congresso de Ciências da Saúde do Namibe, onde apresentou uma palestra subordinada ao tema “Primeiro contacto aos cuidados intensivos: uma resposta integrada ao doente crítico”, o especialista considerou que os investimentos realizados pelo Executivo nos principais hospitais de referência do país colocam Angola numa posição de destaque entre os PALOP.
“De entre os chamados PALOP, Angola é aquele que tem um sistema de cuidados críticos mais evoluído. Digo com conhecimento de causa. Tem várias unidades de cuidados intensivos em hospitais polivalentes, capazes de proporcionar ao doente mais crítico o nível de intervenção de que necessita para preservar a vida e, eventualmente, evitar a morte”, afirmou.
Apesar deste posicionamento, Antero Fernandes reconheceu que o país ainda enfrenta desafios, sobretudo ao nível da escassez de profissionais especializados, da formação e da modernização tecnológica.
O especialista revelou, igualmente, que tem contribuído, a partir de Portugal, onde trabalha, para a formação de profissionais angolanos de medicina intensiva provenientes de diferentes unidades hospitalares, incluindo hospitais públicos, privados e militares.
Por outro lado, destacou a cooperação existente entre Portugal e a província da Huíla na formação de quadros em medicina intensiva, considerando importante que os serviços desta especialidade sejam dirigidos por profissionais angolanos.
Na sua perspectiva, os especialistas nacionais estão em melhores condições para compreender as particularidades do sistema de saúde e identificar as prioridades do país no desenvolvimento da medicina intensiva, por conhecerem a realidade e os desafios de Angola.







