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Estudo do MED revela desistência de mais de 960 mil alunos do sistema não universitário no ano lectivo 2022/2023

O Ministério da Educação (MED) revela, num estudo divulgado recentemente, que 961 mil e 979 estudantes, dentre os 8 milhões, 729 mil e 595 matriculados no subsistema de ensino não universitário, abandonaram o sistema de ensino no ano lectivo 2022/2023

Paulo Sérgio por Paulo Sérgio
25 de Fevereiro, 2025
Em Sociedade

O ensino primário, que acolhe alunos da 1.ª a 6.ª classe, é o que registou maior número de desistentes no período em referência, pois, atingiu a cifra de 617 mil e 027, dos 5 milhões, 373 mil e 424 alunos matriculados, de acordo com o documento a que o jornal OPAÍS teve acesso.

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O I ciclo, que congrega alunos da 7.ª a 8.ª classe, ocupa o segundo lugar com 160 mil e 366 desistentes, dentre o 1 milhão, 607 mil e 366 matriculados, ao passo que no II Ciclo do Ensino Secundário, correspondente ao ensino médio, a cifra está em 111 mil e 656 estudantes, dentre os 924 mil e 855 matriculados.

Já na iniciação, os pais e encarregados de educação de 72 mil e 930 crianças deixaram de leválas aos estabelecimentos de ensino vocacionados para as acolherem, de um total de 823 mil e 901 matriculadas.

Neste sistema, as cinco províncias que mais desistentes registaram foram Luanda (10.727), Huambo (10.022), Huila (8.278), Uíge (7.813), Bié (6.486) e Benguela (6.180).

Em relação ao Ensino Primário, as províncias do Huambo e Huíla tiveram a maior fasquia, com uma ligeira diferença entre ambas, ao registarem 92 mil e 063 e 91 mil e 419 desistentes, respectivamente.

A seguir está a província de Benguela (70.404), o Bié (55.424), o Cuanza Sul (46.293) e o Uíge (43.303). Dos mais de 160 mil desistentes do I ciclo do ensino secundário, a capital do país, Luanda, assume a liderança com 21 mil e 912 casos, seguido da província de Benguela com 19.897 estudantes desistentes.

O Uíge volta a entrar nesta conta como a terceira com maior taxa de desistentes (com 17.612), seguido da Huíla (com 16.922) que só suplantou o Huambo por ter registado cerca de dois mil casos de desistentes a mais, uma vez que esta província atingiu a cifra de 14 mil e 611. Em sexto lugar está a província do Cuanza-Sul, com 11.733 casos.

Os estudantes do II Ciclo do Ensino Secundário matriculados nas escolas de Luanda lideraram a lista de desistentes, sem nenhuma província em condições de competir consigo, tendo em conta que atingiu a cifra de 48 mil e 661 casos, enquanto o Uíge, que figura em segundo lugar neste quesito, registou somente 7 mil e 483 casos.

Os lugares a seguir são ocupados pelas províncias de Benguela (6.800), Huambo (6.424), Bié (6.274) e Cabinda (5.684) O MED esclarece que o Anuário Estatístico da Educação 2022/2023, concluído em Janeiro deste ano por uma equipa liderada por Irene Cardoso, directora do Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística, é um instrumento importante que visa difundir ao público geral, parceiros sociais e à sociedade civil os dados estatísticos produzidos pelo sector da Educação e que habilitam os consumidores a terem maior conhecimento a respeito.

Rede Escolar

Segundo o documento, no período em análise estavam em funcionamento, ao nível do país, um total de 12 mil e 967 escolas, sendo o Ensino Público com 8 mil e 666 escolas, o Ensino Público-Privado com 805 escolas e o Ensino Privado com 3 mil e 496 escolas em funcionamento, respectivamente.

Em termos relativos, no que tange à distribuição por província, se registou uma nítida concentração das escolas nas províncias de Luanda, Huíla, Benguela, Huambo, Bié, Uíge, Malanje e Cuanza-Sul.

Isto é, no ano lectivo 2022/2023, 80,5% do total das escolas em funcionamento ao nível do país estavam nessas oito províncias e, em contrapartida, as restantes 19,5% das escolas estavam concentradas nas demais províncias.

No que concerne à distribuição por níveis de ensino, na Educação não superior em Angola, do total de 12.967 escolas que estavam em funcionamento ao nível do país, 8.261 escolas eram do ensino primário, 684 escolas do I Ciclo do Ensino Secundário, 788 escolas do II Ciclo do Ensino Secundário e 3 mil e 234 Complexos Escolares.

De salientar que, de forma a manter os alunos nas escolas, o MED assumiu o desafio de passar a dar uma refeição quente a cada aluno, adequada à cultura alimentar da comunidade em que está inserido, com vista a potenciar a agricultura familiar e fazer dos produtores locais os primeiros fornecedores da alimentação para as escolas.

Aquando da apresentação pública deste programa, a titular da pasta, Luísa Grilo, explicou, em declarações à imprensa, que o objectivo fundamental é também fazer uma educação nutricional para as crianças na idade pré-escolar e no ensino primário e ajudar a elevar os níveis de aproveitamento escolar, de modo também a contribuir para a redução das taxas de abandono escolar.

A escola vai passar a adquirir os alimentos no seu meio, confeccionar de acordo com as regras nutricionais elaboradas por técnicos qualificados, nutricionistas do Ministério da Saúde, e em função da idade e do desenvolvimento de cada uma das crianças.

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