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OPAÍS

Libanês acusado de assassinar jovem no Belas Business Park pode ter fugido do país

Jornal Opaispor Jornal Opais
13 de Setembro, 2024
Em Sem Categoria
Libanês acusado de assassinar jovem no Belas Business Park pode ter fugido do país

O cidadão libanês- belga, Lakkes Mohamed, preso por ter supostamente assassinado a jovem angolana Anabela Barbosa Marques, de 34 anos, empurrando-a do 3.º andar do edifício Benguela, no Condomínio Belas Business Park, em Luanda, pode ter fugido do país após ter sido posto em liberdade por ordem de um juiz de garantias

O representante do Ministério Público junto do Serviço de Investigação Criminal (SIC) que conduziu o seu interrogatório, no dia 15 de Agosto, optou por decretar a sua prisão preventiva por considerar existirem fortes indícios de que terá atirado propositadamente para baixo do prédio a jovem, com quem mantinha uma relação amorosa.

Enquanto vigorava esse período, a equipa de operacionais do SIC prosseguiu com as investigações, até o processo ser encaminhado ao Juiz de Garantias que, por sua vez, ao analisá-lo decidiu alterar a medida de coacção aplicada a Lakkes Mohamed por uma menos gravosa, isto é, a liberdade provisória sob Termo de Identidade e Residência.

“O juiz de garantias optou por manda-lo a casa para continuar a responder pelo processo em liberdade, isto é, apresentando-se periodicamente junto ao Ministério Público ou ao Serviço de Investigação Criminal”, frisou uma fonte do jornal OPAÍS, ligada à família da vítima.

Ao tomarem conhecimento do despacho datado de 6 do corrente mês, exarado pelo juiz de garantias encarregue do caso, os familiares da vítima manifestaram- se descontentes, por se tratar de presumível homicida e com recursos financeiros que lhe possibilitaria fugir do país, segundo a nossa fonte.

Na ocasião, terão sido informados de que haviam sido tomadas as medidas necessárias para impedir que tal situação fosse ocorrer, como a emissão de uma ordem de interdição de saída do território nacional, endereçada aos órgãos competentes, entre os quais o Serviço de Migração e Estrangeiro (SME).

No entanto, isso não foi o suficiente, pois Lakkes  Mohamed abandonou o país sem passar pela fronteira do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro. Além de lamentarem o facto de o suspeito ter sido solto, os familiares de Anabela Marques suplicam às autoridades que façam cumprir a lei, de modo que a culpa “não morra solteira”, com o caso a ser arquivado, com o passar do tempo.

A nossa fonte sublinhou que a morte de Anabela Marques, a 15 de Agosto, ocorreu quatro me- ses após ela ter perdido o esposo. Deste modo, o suposto acto bárbaro de Lakkes Mohamed acabou por deixar três crianças menores, entre as quais uma criança autista, órfã também de mãe.

Órgãos máximos da Justiça averiguam o caso Os órgãos máximos de Administração da Justiça em Angola, designadamente os Conselhos Superiores da Magistratura Judicial e da Magistratura do Ministério Público, estão a realizar diligências para aferir se houve alguma irregularidade na forma como o processo foi conduzido.

Fruto das reclamações dos familiares da vítima, as direcções dos referidos conselhos pretende apurar se foram ou não praticados actos intencionais, com o propósito de facilitar a “fuga” de Lakkes Mohamed. A forma como os especialistas do SIC conduziram o processo também está a ser revista para se aferir se terão proporcionado um tratamento diferenciado ao suposto homicida libanês-belga, o que propiciou a sua saída do país.

Segundo a nossa fonte, após ter- lhe sido decretada a prisão preventiva, o suspeito foi conduzido a uma cela de passagem do SIC, no bairro da Terra Nova, onde permaneceu até receber a ordem de soltura. Quando o normal seria conduzi- lo à Cadeia Central de Viana, onde existe o Bloco D, reservado ao internamento de cidadãos estrangeiros detidos e presos.

Em vez disso, diz a fonte, Lakkes Mohamed ficou internado na Cela 4. “Em caso de dúvida, pode-se verificar em Viana por que razão não chegou lá e por que razão ficou fora dos prazos na cela do Serviço de Investigação”, sublinhou a fonte.

Instado a analisar o caso, uma outra fonte afirmou que a aplicação desta medida carecia de alguma cautela, visto que o suspeito é estrangeiro, não tem residência fixa em Angola, pelo que havia forte possibilidade de fuga ou risco de fuga.

Conforme a fonte, o juiz de garantias ao aplicar a medida de coacção menos gravosa e a interdição de saída de Angola, “arou-se demais, sobretudo por se tratar de suspeita e indiciação de um crime cuja natureza, homicídio, impõe cautela”.

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