O embaixador de Israel em Angola, Moçambique, República Democrática do Congo e São Tomé e Príncipe, Leo Vinovezky, defendeu, ontem, em Luanda, que o debate internacional sobre o conflito israelo-palestiniano deve abandonar aquilo que classificou como “slogans” e ser baseado em conhecimento, factos e compreensão das diferentes posições
Ao abordar o terceiro aniversário dos ataques de 7 de Outubro de 2023, o diplomata afirmou que Israel continua a considerar a luta contra o terrorismo como uma questão vital da sua segurança e recusou a ideia de que o conflito deva ser apresentado como uma guerra entre Israel e outros Estados.
“A guerra não é entre Angola e Israel, por exemplo. A guerra é entre Israel e o terrorismo palestiniano”, afirmou.
Leo Vinovezky considerou igualmente que Israel é frequentemente colocado no centro dos debates internacionais sobre conflitos e crises, defendendo que a comunidade internacional deveria prestar a mesma atenção a outros focos de instabilidade no mundo.
O diplomata pediu, por isso, uma abordagem que permita compreender a posição israelita, sem impedir críticas ou opiniões divergentes. “Julgar Israel e acusar Israel é muito fácil. O desafio diferente, difícil, é compreender”, afirmou.
Estado palestiniano
Questionado sobre a posição de Angola, que tem defendido em diferentes fóruns internacionais uma solução negociada para o conflito israelo-palestiniano, o diplomata afirmou que a ideia de dois Estados não é nova para Israel, mas condicionou qualquer avanço à existência de um parceiro palestiniano que, segundo disse, reconheça Israel e abandone a violência.
O embaixador criticou particularmente o que descreveu como políticas de incentivo ao terrorismo por parte da Autoridade Palestiniana e afirmou que, enquanto estas práticas continuarem, será difícil construir-se uma perspectiva de paz.
Sobre a criação de um Estado palestiniano, Leo Vinovezky declinou a possibilidade de que uma decisão neste sentido seja tomada sem garantias de segurança para Israel. “Não dá para falar de slogans. Temos de trabalhar concretamente”, afirmou.
O diplomata destacou, em contrapartida, os acordos de paz e normalização que Israel mantém com países árabes, como são os casos do Egipto, da Jordânia e, através dos Acordos de Abraão, com os Emirados Árabes Unidos e outros Estados, apresentando-os como exemplos de que a coexistência é possível quando existem parceiros dispostos a reconhecer Israel.
Pressão sobre Netanyahu é “natureza” da democracia
Sobre a pressão interna exercida sobre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, nomeadamente por familiares e apoiantes de antigos reféns, e o impacto que essa pressão poderá ter na estratégia do Governo perante as eleições que se aproximam, Leo Vinovezky considerou que a existência de posições divergentes é própria de um sistema democrático.
Israel realiza eleições legislativas a 27 de Outubro de 2026 para a 26.ª Knesset. A votação foi oficialmente marcada para esta data depois da dissolução da 25.ª Knesset em Julho. O embaixador afirmou que as divergências entre o Governo, oposição, familiares de reféns e outros sectores da sociedade fazem parte do funcionamento do sistema político israelita.“Você pode ter a certeza que temos 10 milhões de primeiros-ministros”, ironizou, numa referência à multiplicidade de opiniões existentes no país.
Leo Vinovezky explicou que o sistema israelita é parlamentar e baseado em coligações, pelo que vencer as eleições com o maior número de votos não significa necessariamente conseguir formar Governo.
Segundo explicou, o Presidente Isaac Herzog atribui a missão de formar Governo ao candidato que considere ter melhores condições para reunir apoio parlamentar. Caso esse processo falhe, a oportunidade poderá passar para outro candidato, podendo haver novas eleições se nenhum conseguir constituir uma maioria.
O diplomata considerou, assim, natural que existam fortes pressões e divergências internas durante o período eleitoral e defendeu que o respeito pelas instituições deve prevalecer. 7 de Outubro continua a marcar Israel .Para o embaixador, o ataque de 7 de Outubro continua a ser um dos acontecimentos mais importantes da memória recente de Israel e continua a influenciar a política, a segurança e o debate público no país.
O embaixador apresentou a perspectiva israelita segundo a qual o país foi colocado perante uma ameaça de segurança que exigiu uma resposta militar e afirmou que Israel procura, simultaneamente, garantir a entrada de alimentos e medicamentos na Faixa de Gaza. Leo Vinovezky sustentou ainda que as forças israelitas procuram reduzir os riscos para civis através de avisos prévios de operações militares.







