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Política de arrastões

Dani Costa por Dani Costa
26 de Maio, 2023
Em Opinião

A província de Luanda vive um novo momento.

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A entrada em cena de um novo secretário provincial de Luanda pode, afinal, introduzir um novo paradigma se se tiver em conta aquelas que são as exibições iniciais neste consulado em substituição de Nelito Ekuikui, agora nas vestes de secretário-geral da organização juvenil do maior partido da oposição.

Quem o acompanhou no Cuando-Cubango e Benguela, de onde precedeu, viu-o com insistência pelas ruas dos municípios desta cidade litoral em passeatas e outras acções semelhantes para fazer vincar a sua marca.

Aliás, uma marca que se mostra ser do próprio partido, porque, afinal, todos os secretários províncias desta agremiação política não descuram este ‘show’ para mostrar o quanto valem nas referidas circunscrições.

Vivendo-se um momento político, económico e social, em que se esperam mais ideias, muitas das quais possam operar alterações em determinados status quo, não se sabe ainda se a marca registada será esta a da política dos arrastões, em que se pode amealhar tudo, ou se se vai partir para uma luta de ideias e propostas que, por exemplo, fariam com que determinados problemas da capital Luanda fossem mitigados.

Nesta fase, Luanda vive entre o dilema da sua urbanidade, circulação desafogada, reordenamento dos mercados e saneamento básico, o que poderia servir também de mote para que os responsáveis províncias na capital do país dos partidos políticos debitassem as suas ideias baseadas em estudos reais sobre o programa em curso e aquelas que são as supostas vicissitudes que enfrentarão as vendedeiras e as suas famílias, como muitos apregoam.

Claro está que de outras formações políticas quase que se desconhecessem os seus secretários provinciais.

Existirão, de certeza, mas a opacidade mediática a que muitos se auto-submetem faz deles, à partida, meros espectadores numa luta em que assentam, por razões óbvias, o governador de Luanda e primeiro secretário do MPLA, Manuel Homem, e o número um da UNITA, Adriano Sapiñala.

As capitais dos países sempre serviram de barómetro, até mesmo em democracias ocidentais, para que políticos novos ou ainda mais velhos- sonhassem com altos vôos.

E Luanda, contrariamente ao condão que lhe é dado de cemitérios de quadros, deu sinais, embora tênues, de que também é um laboratório bom para que se projectem futuros governantes até mesmo ao mais alto nível.

Porém, conhecê-los, assim como os pergaminhos de que poderão utilizar só será possível caso se encontre neste capacidade as políticas, intelectuais e técnicas de que o país precisa em momentos sobretudo críticos, por forma a se proporcionar aos luandenses, em particular, e aos angolanos, em geral, soluções concretas ou ideias cabíveis.

Não nos esqueçamos de que Luanda alberga hoje, com base no último censo, mais de um terço da população do país.

Uma grande responsabilidade, compreendendo gentes de vários quadrantes e círculos, muitos deles ávidos em perceber claramente o que pensam de facto os seus dirigentes. Só a política de arrastão pode não bastar.

É preciso mais, mesmo que para muitos partidos ou organizações da sociedade civil o ir à rua, a qualquer momento, possa ser algo significativo e se sintam mais representados.

Na pesca, sabe-se que o arrastão acaba por levar tudo, inclusive crustáceos e outros objectos que se encontrem no fundo do mar, mas em política é muito diferente.

O povo pode até ceder ao encanto inicial, mas de certo que isso não se traduzirá em voto confirmado.

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