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O realismo literário em “sábado nos musseques”, de Agostinho Neto

Jornal Opais por Jornal Opais
3 de Fevereiro, 2023
Em Opinião

O presente ensaio aborda sobre o realismo literário no texto poético de Agostinho Neto, descrevendo os aspectos realistas existentes no poema “Sábado nos Musseques”, pertencente à obra poética “Sagrada Esperança”, publicada pela Fundação Dr. António Agostinho Neto, em 2016, na obra “Agostinho Neto: Obra Poética Completa: Sagrada Esperança.

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A Renúncia Impossível. Amanhecer”. Neto foi, fortemente, influenciado pelas correntes literárias da Europa, porque sempre procurou descrever a realidade nua e crua expressão que se refere à realidade descrita de forma objectiva, denunciando os vícios da sociedade sem esconder ou embelezar alguma coisa da sociedade em que viveu. Entretanto, a realidade descrita pelo autor no texto analisado continua dialogando com o actual contexto da sociedade angolana, embora seja um texto que foi escrito na época colonial e retrata a realidade desta época.

Sobre o realismo, Cademartori (1997, p.44), define-o como sendo o (…) “estilo que pretende fixar-se no real e no homem comum, assoberbado por problemas prosaicos e rotineiros” (…).

A preocupação do realismo literário em focar-se na realidade e no homem comum tem a ver com a finalidade de descrever a sociedade e os indivíduos que dela fazem parte de maneira objectiva, sem qualquer embelezamento ou subjectividade, permitindo denunciar os vícios que enfermam uma determinada estrutura social.

O regaste dos valores morais de uma sociedade fazem com que os autores realistas descrevam com exatidão as realidades sociais de suas épocas em seus textos literários.

No texto poético em estudo, Neto faz referência a um lugar característco de Angola, fala sobre a falta de iluminação pública, sobre a pobreza, sobre o abuso do poder policial, sobre a violação sexual de menores, sobre o alcoolismo e sobre a habitação precária.

Reis e Abbade (s/d, p.47), afirmam que (…) “o escritor realista irá enfatizar a localização precisa do ambiente descrito, a descrição de costumes e acontecimentos contemporâneos em seus mínimos detalhes, a reprodução da linguagem coloquial, familiar e regional e a busca da objetividade na descrição” (…). No poema em análise, o ambiente ou o lugar onde se desenrolam todos os acontecimentos são os Musseques  bairros periféricos da cidade de Luanda em particular e do território angolano em geral; assim o vocábulo musseques é uma marca realista presente neste texto.

Como podemos ver nas seguintes estrofes do poema: “Os musseques são bairros humildes/ de gente humilde” (Neto, 2016, p.28). “O sábado misturou a noite/ nos musseques/ com mística ansiedade (idem, p.34).

É visível também alguns versos do poema que nos remetem à realidade sobre a falta de iluminação pública; esta realidade descrita pelo autor continua dialogando com o actual contexto social angolano. Vejamos a seguinte estrofe: “na lua cheia/ acesa em vez dos candeeiros/ de iluminação pública” (…) (idem, p.28).

A pobreza é um fenómeno socioeconómico que caracteriza o povo dos mussequess, pois, nesta localidade, a população é, geralmente, pobre.

A pobreza, para além de ser denunciada por meio da estrutura física social, também se manifesta de forma subjectiva, isto é, nas mentes dos habitantes dos musseques, gerando, assim, diversos problemas no seio familiar; como se pode observar nas seguinte estrofe: “Ansiedade/ nas mulheres/ que abandonaram os homens/ para ouvir/ a vizinha aos gritos/ ralhando contra a pobreza do marido” (idem, p.30).

A polícia é a organização de uma sociedade cuja finalidade é garantir a ordem social por meio das leis que a regem.

Contudo, dentro desta organização há indivíduos que abusam do poder que lhes é dado, agem fora da lei, agredindo fisicamente os cidadãos que deveriam proteger. Podemos ver este acontecimento na seguinte descrição feita pelo autor: “Ansiedade/ no homem fardado/ alcançando outro homem/ que domina e leva aos pontapés/ e depois de ter feito escorrer sangue/ enche o peito de satisfação/ por ter maltratado um homem” (idem, p.28).

Contextualizamos esta estrofe desta maneira em função da actual realidade angolana, pois, tem acontecido diversos casos em que os policiais batem e matam cidadãos desta sociedade.

A violação sexual de menores é um fenómeno social que inquieta também os autores literários, por isso, Neto denunciou este acontecimento no poema analisado, mostrando-se preocupado com a realidade dos habitantes dos musseques.Como se pode ver nesta estrofe do poema: “Ansiedade no homem/ escondido em recanto escuro/ violando uma criança” (idem, p.29).

O alcoolismo é também uma temática visível no poema de Neto.

O autor começa por se referir ao cheiro de bebidas alcoólicas que se espalham no ambiente dos musseques, como se pode observar nesta estrofe: “Ansiedade/ sentida nos barulhos/ e no cheiro a bebidas alcoólicas/ espalhadas no ar/ com gritos de dor e alegria/ misturados em estranha orquestração” (idem, p.28).

Depois se segue a seguinte descrição: “Ansiedade/ nos bêbedos caídos nas ruas/ alta noite” (idem, p.32).

Para além desta descrição, o autor faz uma outra na seguinte estrofe: “enquanto oram/ bêbedos urinam na rua/ encostados à parede/ afastando-se depois/ a ridicularizarem as rezas/ que perceberam/ através das persianas das janelas” (idem, pp.32- 33).

A tradição de um povo manifesta-se por meio das suas acções e pensamentos que vão passando de geração a geração.

A tradição angolana não é homogénea, porque neste território existem várias nações do ponto de vista antropológico e histórico.

Embora os hábitos e costumes dos povos angolanos sejam heterogéneos, há aspectos que todas nações deste país têm em comum, como a crença nas entidades tradiconais africanas (quimbadeiros e adivinhas).

No poema em análise, Neto escreveu algumas estrofes que refletem esta realidade social dos musseques. Vejamos: “no homem/ que consulta o kimbanda/ para conservar o emprego” (idem, p.32). Esta estrofe demonstra que alguns homens dos musseques recorrem a esta entidade africana com a finalidade de poderem ver os seus empregos salvaguardados.

Dentro da tradição africana existem práticas consideradas maléficas; estas práticas são tidas como feitiçaria por terem consequências negativas.

Vejamos a estrofe que demonstra esta realidade: “na mulher/ que pede drogas ao feiticeiro/ para conservar o marido” (ibidem).

Há também aqueles que vão aos adivinhas para saberem o futuro de alguém, como o caso retratado pelo autor no poema: “na mãe/ que pergunta ao adivinho/ se a filhinha se salvará/ da pneumonia/ na cubata/ de velhas latas esburacadas” (ibidem).

Sendo o musseque bairro de pobres, a maior parte dos habitantes vive em habitações cujas condições são desfavorecidas.

O autor denuncia esta realidade no seu poema, vejamos a estrofe: “Ansiedade/ no esqueleto de pau a pique/ ameaçadoramente inclinado/ a sustentar pesado tecto de zinco” (idem, p.33). Este tipo de habitação é característico dos muesseques, embora actualmente vem surgindo casas feitas de bloco.

Portanto, os artístas literários de Angola sempre procuraram trazer a realidade do povo nos seus textos, influenciados pelo realismo literário e não só, permitindo desta maneira que os seus textos sejam reflexos da realidade social.

Referências bibliográficas

Cademartori, L. (1997). Períodos Literários. Editora Ática. Disponívem em: https://vdocuments.mx/ cademartori-ligia-periodos-literarios.html?page?=1. Neto, A. (2016). Obra Poética Completa: Sagrada Esperança. A Renúncia Impossível. Amanhecer, 1.ª Edição, Luanda. Reis, N. C. M. & Abbade, C. (s/d). Estudos da Literatura Portuguesa, 1.ª Edição. Disponível em: https://docplayer.com.br/4776066-Estudosda-literatura-portuguesa.html.

 

Por: ARMANDO MARIA

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