EMPEMA-ENSA BANCO BAI MINEA SOCIJORNAL SOCIJORNAL
OPaís
Ouça Rádio+
Dom, 17 Mai 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

Estratificação Linguística

Jornal Opais por Jornal Opais
24 de Novembro, 2023
Em Opinião

A ideia de estratificação tem ecoado muito nas diferentes análises, sobretudo, sociológicas. É por esta razão que entendemos estratificação com Lakatos e Marconi (2013), que sublinham o facto de que “os indivíduos e grupos de uma sociedade diferem-se entre si em decorrência de vários factores, formando uma hierarquia de posições, estratos ou camadas mais ou menos duradouros.

Poderão também interessar-lhe...

A interferência das emoções na saúde física e psicossomática

Angola e o desafio de preparar o futuro

Portugal e Angola: duas margens do mesmo destino

Este facto real, observado em todas as sociedades, significa que nelas os indivíduos e grupos não possuem a mesma posição e os mesmos privilégios, mas, sob esse aspecto, diferem entre si. Portanto, inexistem sociedades igualitárias puras.

A esta diferenciação de indivíduos e grupos em camadas hierarquicamente sobrepostas é que denominamos de estratificação” (p.87).

Assim, embora se fale em estratificação social, aqui e agora, propusemo-nos falar em estratificação linguística que se podia entender como a classificação hierárquica dos falantes de uma ou de várias línguas, a olhar para os “privilégios linguísticos” bem como a noção de “certo e errado”.

Este facto é perceptível, também, da visão do professor Camacho (1980), que nos leva a perceber que os estudos sociolinguísticos têm dado visibilidade ao facto de que a língua tem demonstrado uma irrefutável estratificação, na medida em que os seus usos determinam o tipo de camada ou classe a que o grupo pertence, sendo motivo de se evocar as antíteses de “certo e errado”.

Podemos olhar para o contexto plurilingue angolano e perceber a estratificação linguística em duas perspectivas.

A primeira está ligada à ideia errada de que as demais línguas que coabitam com o português, como Kimbundu, Umbundu e outras, são inferiores em relação à língua oficial e de escolaridade — a Língua Portuguesa—, ficando as outras relegadas a segundo plano tal como se fez nos dois documentos importantes, isto é, na Constituição da República e na Lei de Bases.

Este primeiro problema leva a classificar, consequentemente, os falantes das demais línguas como inferiores, estimando os falantes do português.

O que se apresentou tem levado a desvalorização dos que não têm o português como a língua materna. Sobre isso, Tavares (2007) mostra que a designação de língua materna está ligada ao facto de que, nas sociedades ocidentais, a mãe deve transmitir a sua língua à criança.

A língua da mãe é assim a primeira língua, é a língua da socialização da criança, a língua considerada como adquirida de forma natural, em contacto com a mãe e com os outros, em interacção. Logo, nem todos a têm como língua primeira ou língua materna, o que nos leva ao segundo problema.

O segundo problema de estratificação linguística seria o de apontar o “certo e errado”. Poderíamos, dentro de uma mesma língua, o português, por exemplo, classificar uns como “bons falantes” e outros como não.

Para piorar, achar que os ditos “bons falantes” são, por assim dizer, da elite, do topo da pirâmide e que, portanto, merecem mais reconhecimento e estima de nossa parte. Temos de nos lembrar de Bagno (2002), que deixa clara a ideia de que “tudo aquilo que é classificado tradicionalmente de “erro” tem uma explicação científica perfeitamente demonstrável.

A noção de erro em língua é inaceitável dentro de uma abordagem científica dos fenómenos da linguagem.

Afinal, nenhuma ciência pode considerar a existência de erro em seu objecto de estudo” (p. 72).

Logo, não podemos classificar as pessoas em função do modo como falam, menosprezá-las demonstra um fraco ou nenhum conhecimento da linguística portuguesa que é, de facto, uma ciência, não fazendo juízo de valor em relação à língua ou ao modo de comunicação entre as pessoas.

Assim, torna-se imperioso que nos dispamos da ideia de classificar ou estratificar as pessoas em função da língua, em função do modo como falam, pois, cada língua é um acervo peculiar para os seus falantes e os fenómenos linguísticos devem ser motivos de estudo, de explicação e não de estigmas.

 

Por: PEDRO JUSTINO “CABALMENTE”

*Professor e Académico –Talvez Sociolinguista

Negócios Em Exame Negócios Em Exame Negócios Em Exame

Recomendado Para Si

A interferência das emoções na saúde física e psicossomática

por Jornal OPaís
15 de Maio, 2026

Enquanto médico em Angola, tenho assistido diariamente a uma realidade silenciosa que cresce nos hospitais e nas próprias famílias: o...

Ler maisDetails

Angola e o desafio de preparar o futuro

por Jornal OPaís
15 de Maio, 2026

Há momentos na história das nações em que o maior desafio deixa de ser apenas resolver os problemas do presente...

Ler maisDetails

Portugal e Angola: duas margens do mesmo destino

por Jornal OPaís
15 de Maio, 2026

Há países que a geografia separa e há países que a história insiste em manter unidos. Portugal e Angola pertencem...

Ler maisDetails

A luta cruel pela permanência no Girabola

por Jornal OPaís
15 de Maio, 2026

Numa altura da temporada em que o título já foi atribuído, com o Petro a conquistar o Penta campeonato, há...

Ler maisDetails

Radiomais em 4 Vozes: Novos Podcasts

‎Arranca amanhã Programa de Certificação de Gestores de Tecnologias Espaciais

17 de Maio, 2026

Efectivo do MININT apresenta livro motivacional aos leitores do Lubango

17 de Maio, 2026

Oficial da Polícia detido por alegada violência doméstica

17 de Maio, 2026

AGT frustra tentativa de contrabando de motores em Viana

17 de Maio, 2026
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • OPaís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.