OPaís
Ouça Rádio+
Qua, 21 Jan 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

Escrever é o quê? (Parte 1)

Jornal Opais por Jornal Opais
4 de Março, 2024
Em Opinião

No presente ensaio propusemo-nos a abordar sobre Escrever é o quê. A abordagem está centrada na perspectiva da literatura enquanto ciência e arte, com objectivo de contribuir na produção literária no Huambo.

Poderão também interessar-lhe...

As promessas de ano novo e o auto-engano colectivo

Cart do leitor: Vamos cuidar das nossas crianças…

É de hoje…‘Legaliza-te’ de Archer Mangueira

Aprioristicamente, dever-se-ia compreender que escrever é ressignificar as vivências em símbolos gráficos, ou seja, é um exercício árduo que consiste na tradução dos factos e fenômenos sociais em representações gráficas.

Assim, um escritor de verdade, antes de escrever qualquer coisa que seja, dedicar-se-ia a apreciar e investigar o referencial ou contexto. Escrever vai muito além de recolher vocabulários, para os crucificar sobre o papelinho quadriculado.

Não basta escrever uma carta, um poema, um conto, uma frase reflexiva, para concluir que é escritor e ponto final. Se olhássemos no nosso contexto com uma taça de sensibilidade coerente, sem fanatismo, perceberíamos que, obviamente, talvez haja uns pouquíssimos escritores, e muitíssimos pseudo-escritores, situação que nos repleta de triste tristeza.

Em condições normais toda e qualquer produção textual seria resultado da realidade (contexto), não seria um dado do acaso entregue à sua própria sorte, por isso, Costa Andrade advoga que não há texto sem contexto, ou seja, todo texto é pretextado por um contexto, remetendo-nos à relação tridimensional, isto é, escritor-contexto-povo.

Há quem diga que escrever seja consequência de uma determinada inspiração. Se essa inspiração for uma espécie de pensamento ou ideia que nos vem de repente, recusar-nos-íamos a concordar, porque a inspiração é bastante efêmera e/ou um descuido/lapso que não se pode controlar ou monitorar, quando nos propomos a escrever, também a pensar, ou seja, escrever exige a activação dos gatilhos de pensamento, centrandose sempre nos porquês.

Muito pelo contrário, cremos que seria um produto da imaginação ou entusiasmo criativo, devido à faculdade ou capacidade mental que possibilita a representação das vivências, enviadas ao pensamento através dos sentidos.

A título de exemplo, os excertos abaixos: As lágrimas dos céus Beijam-te de alegria *óh solo Enchendo-te de cabelos verdes Katchekele Mel que as abelhas esqueceram lá Num pouso acidentado e de sorte. Talvez atraídas por aquele porte… Que na ilusão de óptica, viu-se girassol.

Augusto Sapengo

Os escritos supracitados é notório que não são oriundos do acaso, pelo facto de estarem munidos de imitação da realidade ou decoro, se preferirmos, uma imaginação pura e virgem tão obesa de sensibilidade na forma como os dois autores convertem o viver do povo em representações gráficas, isto sim, quer dizer escrever, simples e complexo ao mesmo tempo.

No entanto, embora a escrita por sua natureza seja acessível a todos como uma prostituta que ande de mão em mão e esteja à disposição mesmo de quem não a queira, com base no pensamento platônico.

Não pretenderíamos discutir tal pensamento, todavia gostávamos acreditar que Platão se não referia a amontoados de palavras agrupadas, sem significado sócio-histórico ou histórico-cultural, e sim, a escritos santos que sejam reflexos da vida dos povos de uma determinada região e época.

Neste ínterim, escrever seria revelar-se ao leitor ou deixar-se conhecer pelo leitor, razão pela qual todo texto, independentemente do seu tamanho, formato, singularidade e pluralidade manifestaria um pouco do universo interior do autor e do contexto social da época.

A título de exemplo, basta olhar para toda produção literária feita na década de 50 pelos africanos de expressão portuguesa, em particular angolanos, deram voz e vez à chamada literatura de combate.

A riqueza conteudística das obras da década supracitada manifestam a angolanidade, facto e sinônimo de escrevivência.

Ora bem, escrever assemelharse-ia a uma vaidade surda e muda, nuvem escurenta, porque cada vez mais se vende a ideia de que o facto de escrever um poema, uma crônica, uma história já transforma o sujeito-autor num escritor; burrice intelectual, repito mais uma vez, burrice intelectual mesmo.

Isso só acontece aqui na nossa realidade, para comprovar a veracidade desta afirmação, sugiro que visitemos as redes sociais e algumas obras publicadas, é uma vergonha, muitos “pseudo”- escritores.

Assim, assumir-se como escritor seria tamanha responsabilidade, olhando no pensamento de José Francisco Tenreiro: antes do político, do advogado, do sociólogo, do economista, do historiador, do magnata e de qualquer outro, está o poeta (escritor) para abordar nos seus textos os mais variados problemas da sociedade.

Todavia, hoje e por hoje, apreciando o nosso Huambo neste quesito, custar-nos-ia admitir e, em verdade a máxima de Tenreiro, não se encaixaria em todos, mas também seria para todos, uma vez que, em vários casos, escrever tenha-se associado à bajulação, santificação da imagem de alguém em troca de um pedaço de pão.

Cá, no Huambo, os que escrevem à luz da máxima do autor mencionado anteriormente, contar-se-iam pelos dedos da mão, só não os citamos porque enfim. Já os “pseudo”-escritores talvez muitos os conheçam através das suas aparições públicas.

Jornal Opais

Jornal Opais

Recomendado Para Si

As promessas de ano novo e o auto-engano colectivo

por Jornal OPaís
21 de Janeiro, 2026

O início de cada ano é marcado por uma prática recorrente: a formulação de promessas. Promessas de esperanças, de criação...

Ler maisDetails

Cart do leitor: Vamos cuidar das nossas crianças…

por Jornal OPaís
21 de Janeiro, 2026
DR

Caro coordenador do Jornal OPAÍS, saudações e votos de uma boa Quarta- feira. Na verdade, devemos cuidar das nossas crianças....

Ler maisDetails

É de hoje…‘Legaliza-te’ de Archer Mangueira

por Jornal OPaís
21 de Janeiro, 2026

A burocracia ainda existente em alguns sectores é mencionada por muitos como razão para que não tenham legalizado muitos dos...

Ler maisDetails

Montagem de viaturas

por Jornal OPaís
21 de Janeiro, 2026

Oplano de atracção de investimentos, à luz daquilo que são as orientações estratégicas do Executivo, a Zona Económica Especial (ZEE),...

Ler maisDetails

Provedora de Justiça defende maior proximidade institucional com a Assembleia Nacional

21 de Janeiro, 2026
DR

Construção da maior estrada circular do país arranca em Março

21 de Janeiro, 2026
DR

Vandalização de cabos da ENDE deixa mais de 400 clientes às escuras no Luena

21 de Janeiro, 2026
DR

Comité reforça acções de promoção dos direitos humanos em Benguela

21 de Janeiro, 2026
OPais-logo-empty-white

Para Sí

  • Medianova
  • Rádiomais
  • OPaís
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos

Radiomais Luanda

99.1 FM Emissão online

Radiomais Benguela

96.3 FM Emissão online

Radiomais Luanda

89.9 FM Emissão online

Direitos Reservados Socijornal© 2026

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.