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É de hoje… Quando o BNA tenta estancar a sangria…

Dani Costapor Dani Costa
27 de Agosto, 2026
Em Opinião

Há alguns anos, Angola realizou um encontro nacional com jovens provenientes da diáspora. Na altura, depois de um encontro frutífero em Luanda, chamou a atenção a manifestação de apreço que muitos diziam ter pelo país, assim como a vontade de poderem contribuir directa ou indirectamente para a melhoria de inúmeras áreas, muitas das quais afectadas duramente pela guerra civil.

Desde então, amiúde ou não, têm sido vários dos apelos feitos aos angolanos que se encontram no exterior. Depois de largos de anos de trabalho, esperava-se que um número considerável se envolvesse em trazer a Angola aquilo que de melhor obteve lá fora, tanto em termos educacionais, de saúde, comercial, cultural ou desportivo.

A conquista da paz foi um alento. Fez com que inúmeros cidadãos angolanos, até então distantes do país, regressassem, cientes que de haveriam de contribuir ainda mais com os seus saberes.

Para quem aqui se mantinha de pedra e cal não havia dúvidas de que tinha chegado um momento em que o contributo da diáspora seria maior, até porque os indicadores dos anos anteriores apontavam para este caminho.

Particularmente, sempre que me viesse à memória a palavra diáspora, em que ainda estão muitos parentes directos e indirectos, me recordava daquela fase em que alguns enviavam roupas, calçados, televisores e outros bens dentro de arcas e geleiras.

Eram electrodomésticos difíceis para muitos ‘intramuros’, razão pela qual provinham de milhares de familiares que tinham optado por migrar para Portugal.

Era expectável que, independentemente do momento que o país vivesse, a diáspora contribuísse grandemente para o desenvolvimento do país, sobretudo aqueles que se tornaram bem-sucedidos em várias áreas, de quem se acredita ainda hoje que tenham Angola como país do coração e uma das suas prioridades.

Hoje, 24 anos depois do alcance da paz, a diáspora angolana cresceu muito mais do que se espera. Apesar das mudanças políticas e económicas, assistiu-se a uma saída de cidadãos, incluindo abastados, para o exterior, registando-se, nos dias que passam, uma certa inversão em termos de contribuição.

Quando se fala, por exemplo, de remessas vindas do exterior, é notório em outros países uma participação mais acentuada, contrariamente a Angola, onde os cidadãos acabam por enviar mais dinheiro para fora do que o inverso.

Quando se olha para o ranking dos imigrantes que mais enviam remessas para os seus países de origem, quase que os angolanos não aparecem. É possível divisar em grande número os nigerianos, somalis, gambianos, ganenses, cabo-verdianos e de outras latitudes, como os que mais se predispõe a contribuir financeiramente para a sua terra natal em diversos projectos. Em Angola, nos últimos anos, o processo é contrário.

Os indicadores demonstravam mais saídas do que propriamente entrada, o que parece ter exigido da parte das autoridades a tomada de medidas para conter essa ‘sangria’. Daí que o Banco Nacional de Angola, através do Aviso n.º4/2026, tenha também reduzido o limite anual de transferências para o exterior ordenadas por pessoas singulares no montante de USD 250.000 para USD 150.000.

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