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OPAÍS

É de hoje… Políticos milionários

Dani Costapor Dani Costa
13 de Julho, 2026
Em Opinião

Acompanhei, há dias, numa rádio em Luanda, um debate em que um dos aspectos que dominou a conversa, entre os vários participantes, foi o facto de existirem entre nós políticos ricos. Num dado momento, um dos contendores fazia transparecer que era perigoso o facto. Tudo porque muitos destes ricos políticos ou políticos ricos acabam por não conseguir separar os negócios que possuem daqueles que encontram com as facilidades que depois encontram quando assumem determinadas funções públicas.

Há alguma verdade, sim. Mas é igualmente verdade que o facto de se ser rico não pode significar que muitos destes cidadãos sejam coarctados da possibilidade de um dia poderem exercer funções públicas e políticas. Há vários exemplos no mundo de indivíduos riquíssimos que depois assumiram funções públicas relevantes, sendo os casos de Donald Trump, agora nos Estados Unidos, e o chanceler alemão, Friedrick Merz. Em Angola, pelo que se saiba, hoje também existem milionários na política, ou seja, indivíduos que se apresentam e vivem como tal, mas não se conhece completamente o tamanho das suas fortunas.

É inegável que muitos deles vieram de famílias modestas, o que faz com que, muitas das vezes, a origem daquilo que mostram possuir seja escrutinada seriamente porque se acredita que só terá ocorrido depois de terem atingido funções políticas relevantes.

Noutros quadrantes, o que tem ocorrido é o inverso. As pessoas colocam-se ao serviço da política depois de terem construído uma carreira sólida no sector privado, como empresários, investidores ou até herdeiros de grandes fortunas, o que não levanta quaisquer suspeitas, porque muitos deles acabam servindo os interesses colectivos, enquanto entre nós há a suspeita de que se possam servir primeiro.

Pessoalmente, não me abomina ver endinheirados a pretenderem concorrer a funções-chave do Estado. Essa condição económica pode, muitas vezes, ser vista como um aspecto positivo, se este se colocar apenas ao serviço de todos, sem misturar o que é público e privado.

O que preocupa, com certeza, é ver indivíduos que não possam conseguir separar o trigo do joio, principalmente quando se tem acesso aos cofres públicos e aos projectos públicos milionários que podem dar um empurrão para aumentar significativamente mais uns tantos zeros nas contas bancárias no país e no estrangeiro. Ser milionário não deve ser um factor limitativo para qualquer cidadão.

A forma honesta como muitos deles chegam às fortunas acaba sempre por ser mola impulsionadora para muitos que labutam honestamente e esperam atingir tais patamares.

Por esta razão, não devemos temê-los. Mas é, sim, perigoso, quando muitos deles atingem as principais esferas do poder e não conseguem diferenciar o que é público e o que é privado, assim como se vêem incapazes de enfrentar as provações que lhes surgem.

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