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É de hoje… Maldito lixo de cada dia

Dani Costapor Dani Costa
18 de Junho, 2026
Em Opinião

Há alguns anos, o lixo tornou-se um dos mais apetecíveis negócios dos principais aglomerados urbanos. Em Angola, sobretudo nas suas principais cidades, não é uma excepção, tendo em conta que, à medida que se vão acumulando, vão surgindo também um número significativo de empresas.

É comum, por exemplo, sempre que se altera a direcção num determinado governo provincial ou, numa administração, surgirem programas novos. Em muitos casos, muitos dos novos projectos acabam por ser mais arcaicos, como se pode observar, por exemplo, em algumas províncias do país, sobretudo nas recém constituídas.

De ensaios em ensaios, entrada de novos players, a realidade vai demonstrando que mais se está perante um concorrido mundo de negócios do que diante de concertações que visam necessariamente garantir maiores condições de salubridade para os moradores. Quem acompanha a implementação destes projectos a nível da cidade capital sabe do que se vive. Infelizmente.

Cada governador cuidou de, prontamente, impor a sua marca neste malcheiroso, mas apetecível negócio, tendo-se inclusive chegado ao ponto de, num determinado momento, ter-se decidido pagar aos cidadãos pelo lixo que entregavam à ELISAL. Nas últimas semanas, as informações postas a circular indicavam que os cidadãos, uma vez mais, iriam pagar junto às facturas de água e energia alguma percentagem pelos serviços que vão ser prestados pelas operadoras.

Na realidade, não se trata de uma desconhecida da maior parte dos luandenses, em particular, ou de alguns angolanos, em geral. Num passado recente, já se havia anunciado. Porém, a estratégia parece não ter vincado, embora a maioria dos cidadãos anseie por um serviço bom e que lhes possa garantir mais saúde a todos os níveis.

Numa altura em que, no mundo todo, a reciclagem é uma realidade, empoderando pessoas e enriquecendo até algumas, é quase inconcebível que ainda estejamos distantes de uma solução que faça com que os grandes aglomerados de lixo continuem a ser um verdadeiro problema.

Apesar da proibição ocorrida com certos produtos, os catadores de lixo espalhados por Luanda já demonstraram que o ferro e o plástico descartado continuam a ser úteis para certas indústrias.

O mesmo já se pode dizer quanto ao papel que também alimenta outros sectores. O que se espera, na verdade, é um projecto que funcione de facto. Não importando se alguns paguem ou não.

O mais preocupante é todos os anos surgirem projectos novos para uma situação cuja solução parece cada vez mais distante em determinadas localidades, como aqui na vizinha província de Icolo e Bengo, onde se procuram culpados que nem existem.

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