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OPAÍS

É de hoje… É como buscar agulha num palheiro!

Dani Costapor Dani Costa
26 de Agosto, 2026
Em Opinião

Quase todos os dias, quando cruzamos com algum conhecido, independentemente da função que exerça, é indiscutível a percepção destes em relação à empregabilidade de uma pessoa próxima. Sem muitos esforços, longe até dos relatórios ou dados estatísticos que vão surgindo, com regularidade, tem-se a mínima ideia da necessidade que se há de se criarem mais postos de trabalho.

Na última Segunda-feira, depois da inauguração do Palácio de Convenções de Luanda, foi visível a preocupação do Presidente da República, João Lourenço, em relação a uma intervenção mais agressiva do sector privado na criação de infra-estruturas a nível do sector hoteleiro para atender a necessidades de hospedagem na capital.

Consequentemente, estas obras e, depois, as estruturas acabadas serviriam, inegavelmente, para empregar centenas e milhares de jovens que hoje buscam um posto de trabalho, mas têm como opção quase única o funcionalismo público. A esta hora, por exemplo, muitos cidadãos aguardam a realização das provas de acesso ao concurso externo nos ministérios da Saúde, Educação e também do Interior.

Já é sabido que o número de vagas é extremamente limitado, o que ainda não coarcta, de qualquer modo, a esperança de determinados jovens que buscam uma oportunidade.

Os números apresentados em relação à Saúde apontam para mais de 260 mil candidatos, que buscam uma vaga entre as seis mil existentes. Trata-se, na verdade, de uma disputa acirradíssima, onde só os melhores conseguirão um posto, sabendo-se que até mesmo os mecanismos de um suposto desempate podem ser difíceis de ultrapassar.

É expectável que, a nível do concurso do Interior, onde as exigências não são tão elevadas como as do Ministério da Saúde, existam muitos mais candidatos. Infelizmente, nem todos conseguirão entrar, apesar das necessidades que muitos buscam por um posto de trabalho que lhes permita posteriormente cuidar das suas famílias.

Enquanto estes aguardam, há um número significante que nem sequer terá acesso ao referido concurso por supostas irregularidades. As cifras apontam para mais de 170 mil concorrentes ‘afastados’, o que representa cerca de 40 por cento do total daqueles que buscaram uma oportunidade no ramo da saúde.

Para muitos, o acesso a um lugar será o mesmo que tentar encontrar uma agulha num palheiro, se se tiver em conta o número de inscritos nos vários concursos. Só fora do Estado é que se conseguirá proporcionar à maioria dos angolanos um posto de trabalho para colmatar os défices existentes.

Para tal, é necessário que o sector privado intervenha e em força. Cabendo ao Estado a criação de condições para que o empresariado actue sem quaisquer constrangimentos. Caso contrário, os números continuarão a ser assustadores.

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