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OPAÍS

É de hoje… Dos filhos de lá aos reconhecimentos de cá

Dani Costapor Dani Costa
29 de Junho, 2026
Em Opinião

Um telefonema amigável, daqueles que depois discorrem para outras conversas inimagináveis, terminou com uma questão pacífica, mas que acaba sempre por levantar algumas pulgas. Em causa estava a atribuição dos nomes de determinadas figuras às infra-estruturas em construção e outras já inauguradas, que vão servindo, felizmente, à população em vários domínios, entre os quais o da saúde.

Depois de o Presidente da República, João Lourenço, ter efectuado uma visita de constatação às obras do futuro Hospital dos Queimados, que ainda não foi inaugurado, algumas pessoas questionavam-se sobre quem era Julius Nyerere, o pai da nação tanzaniana, que foi uma figura de destaque no apoio aos movimentos de libertação de muitos países da África Austral.

Angola foi um destes países que beneficiou do apoio e envolvimento directo desta figura do continente africano. Antes mesmo da atribuição do seu nome ao hospital, já havia sido distinguido numa cerimónia em que esteve presente a sua esposa.

Nos últimos tempos, embora se tenham atribuído nomes de figuras angolanas, como o reverendo Inglês, no Bengo, e Mário Pinto de Andrade, no Cuanza-Norte, outras entidades nacionais têm sido homenageadas, quanto outras personalidades que, de forma directa, impactaram o sucesso da Independência Nacional, que ocorreu há 50 anos.

Uma destas destacadas entidades é Raul Diaz Argueles, um militar cubano que esteve envolvido em combates no Cuanza-Sul, que vivia uma forte pressão do exército sul-africano.

À semelhança dos angolanos, muitas foram igualmente as entidades estrangeiras que, de forma directa ou indirecta, estiveram envolvidas nos momentos mais decisivos de Angola, por conta de intervenção nas acções militares, diplomacia, cultura, desporto e política. Infelizmente, pouco se sabe da intervenção de muitos destes homens.

Aliás, nem mesmo os historiadores e os organismos responsáveis trazem aos angolanos referências sobre muitos daqueles que intervieram directamente, para não se falar daqueles que, na clandestinidade, apoiaram política e materialmente os esforços para a construção desta sociedade.

O desconhecimento tem sido o mote, muitas vezes, para surgir posições contrárias em muitos sectores em relação a casos como o que vimos no Hospital Julius Nyerere, assim como na toponímia que vimos a ser colocada em muitas artérias dos mais de 200 municípios que hoje constituem o país.

É verdade que é desejável que se reconheça cada vez mais o contributo de muitos filhos nativos deste país. Porém, esta pretensão, por mais que se queira, não pode servir de mote para que se deixe de lado muitos daqueles que, apesar de estrangeiros, fizeram, talvez, muito mais do que alguns que têm aqui enterrados os seus cordões umbilicais

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