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OPAÍS

É de hoje… As mesmas contas de todos os anos

Dani Costapor Dani Costa
23 de Junho, 2026
Em Opinião

Ver os filhos afastados da escola deve ser uma das maiores dores de qualquer pai. Infelizmente, este ainda é um drama que se vive no país, onde, segundo dados do próprio Ministério da Educação, mais de 4,5 milhões de pequenos e jovens encontram-se nesta situação. Quando são divulgados estes números, por mais que não se queira, a primeira responsabilidade que se imputa é ao Estado.

É comum, sobretudo nestas fases em que o ano lectivo se aproxima do final, analisar-se não só o défice existente, como também as possíveis soluções para o problema. Inicialmente, há quem vaticine que a solução passe, necessariamente, pela construção de mais salas de aula. Consequentemente, o aumento do número de professores, técnicos administrativos e outros profissionais que dão corpo a qualquer instituição escolar.

Mas a solução pode não ser tão fácil como se julga, principalmente para um país em dificuldades, como o nosso, em que a sua população cresce acima dos três por cento todos os anos.

Em igual período, assiste-se a um aumento também de crianças em idade escolar, muitas das quais não têm acesso e ingressam na lista daquelas que já se encontram em abandono.

Sempre que visito algumas escolas, muitas das quais devidamente apetrechadas, pergunto-me se não existem soluções mais realistas, por exemplo, que nos permitiriam construir mais escolas se se tiver em conta o preço que se paga por uma delas? Há alguns anos, um amigo arquitecto, com quem discutia sobre alguns projectos que eram erguidos em determinadas localidades, defendia a necessidade de se poder construir algumas infraestruturas com recursos a materiais locais, mas cujos acabamentos poderiam conferir uma certa dignidade às crianças, professores, técnicos administrativos e todos aqueles que frequentassem a instituição.

Estamos lembrados de que, por exemplo, a nível de Luanda, surgiram determinados estabelecimentos, a preços acessíveis, no âmbito da cooperação cubana, que viram nascer muitos cidadãos que hoje ocupam posições de destaque na política, economia, desporto e noutros sectores. Sem descurar as condições que se exigem hoje, a diminuição do número de crianças passa por soluções práticas – e muitas delas menos onerosas, incluindo neste pacote as igrejas e outras instituições que possam acompanhar o Executivo neste combate difícil, mas possível.

Aí, onde não é possível colocar-se uma infra estrutura de ponta, ao menos que se criem condições aceitáveis para que crianças e jovens possam, no mínimo, sonhar que dias melhores virão.

É imperioso que se busquem soluções práticas para que o número de petizes fora do sistema aumente vertiginosamente, uma vez que o crescimento populacional que assistimos aponta para esta direcção, se tivermos em conta o facto de o mesmo não acompanhar o crescimento económico.

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