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É de hoje… A vez de brilhar chegou

Dani Costapor Dani Costa
15 de Julho, 2026
Em Opinião

Três concursos públicos abriram quase em simultâneo. Na Saúde arrancou mais cedo. Depois seguiu-se a educação e o Ministério do Interior na parte final. São milhares de vagas existentes, que deverão ser preenchidas por jovens com idades entre 18 e 35 anos, em muitos casos, alguns dos quais não pestanejam em conseguir um posto de trabalho no Estado.

Para muitos, Luanda, onde hoje reside um terço da população do país, seria o poiso ideal. Mas, antes mesmo de se terem aberto os concursos, algumas das instituições já haviam informado de que, para a capital do país, não haverá ingressos. Por isso, muitos serão destacados nas províncias mais novas do país, sobretudo criadas no âmbito da nova Divisão Político Administrativa.

Ainda com o elevado índice de desemprego no país, é expectável que, nos dias que se seguem, venham a ser anunciados um recorde de candidaturas. Teremos, seguramente, cifras altíssimas em termos de rácio por cada lugar existente nos ministérios da Saúde, Educação e Interior. É provável que muitos, mesmo não possuindo os requisitos exigidos, ainda assim concorram para tentar a sorte.

Afinal, desde muito cedo se impingiu em muitos cérebros a ideia hoje fixa de que se pretende uma maior estabilidade ou até uma reforma segura, e o melhor que se tem de fazer é juntar-se às instituições ligadas ao próprio Estado. Não importando qual venha a ser. Sempre que vejo que um jovem, recém-formado, consegue um lugar nos referidos concursos públicos, penso, inicialmente, em mais um quadro que poderá mudar significativamente o paradigma que muitas das vezes os próprios, enquanto ausentes do sector, se mantêm críticos.

Alguma falta de comprometimento, sentido probo e, principalmente, a vontade imensurável de servir os cidadãos e, consequentemente, o próprio Estado. Muitos são os exemplos de jovens recém-formados que ingressam e se tornam verdadeiras referências até para os mais velhos que encontram. Mas, por outro lado, muitos também são os casos de profissionais que acabam por se aliar a práticas nefastas que acabam por manchar a imagem e os valores que estas instituições, desde os tempos mais remotos, procuram preservar arduamente.

O que para muitos dos candidatos possa parecer um simples ingresso aos órgãos do Estado, para outros cidadãos é, sobretudo, também a esperança de que os ‘novatos’ possam imprimir uma nova dinâmica. Que sejam aqueles funcionários da Saúde que olhem para os pacientes ou para os processos, que tenham em mãos um verdadeiro teste para a melhoria dos serviços sanitários.

O mesmo se espera daqueles que irão ao Ministério do Interior e Educação. Que venham a ser agentes e oficiais da Polícia com zelo, distantes das práticas que hoje minam alguns dos efectivos, muitos dos quais acabaram por ser afastados compulsivamente depois de um longo tempo de espera por uma oportunidade.

Como se soe dizer hoje, na brincadeira, vez de muitos brilharem chegou. Mas só o tempo e as atitudes irão ditar se esta passagem não poderá ser efémera para muitos dos concorrentes.

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