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DIPANDA

Jornal Opais por Jornal Opais
29 de Novembro, 2024
Em Opinião

A Independência chegou chegando, mexeu com tudo e com todos, era a realização de um sonho, a consumação de um ideal, o resgate da dignidade, o renascer da esperança, a certeza da construção de uma sociedade nova, de um amanhã melhor.

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No dia 11 de Novembro de 1975, tinha eu pouco mais de 14 anos, como muitos mais novos, enquadrados na OPA, Organização de Pioneiros Angolanos, no Largo 4 de fevereiro, em Malanje, aguardamos ansiosamente pelo grande momento.

A euforia tomou conta da urbe. A cada esquina, a música de Gonzaga Guimarães Jr, se preferirem, Mirol, estava na moda, ouvia-se por tudo quanto fosse canto. “A independência está chegando e a terra já vai resplandecer, neste dia não vou mais chorar porque livre já serei, todo sofrimento acabará e a alegria me incidirá”, cantavam em uníssono milhares de almas angolanas.

Finalmente, a meia noite chegou, Agostinho Neto tomou a palavra, perante África e o Mundo ,proclamou a Independência de Angola, uma maré de alegria, uma gritaria sem precedentes, muitos assobios, entre choros e abraços, o delírio total.

O tempo passou, uma longa caminhada, 49 anos depois, aqui estamos, a reviver o passado, sempre vale a pena recordar tão gloriosa epopeia, uma data brilhante, verdadeiramente extraordinária que a memória registou e a história eterniza.

A Independência chegou chegando, carregando consigo valores morais fortes, um baluarte de profundas e robustas ideias que acendeu a chama patriótica, calou fundo em muitos corações identificados com os ideais da revolução.

A cada Novembro, renasce em mim um sentimento de nostalgia, qualquer coisa como, revisitar o passado, reviver o antigamente, um misto de boas e gratificantes recordações que não se apagam, nunca! De longe, para quem vivenciou a dipanda, é impossível esquecer, não sentir aquela sensação de pertença, a importância dos abraços, a alegria contagiante nas ruas, nos bairros, nas cidades, no antes e depois da sua proclamação, uma recordação bastante intensa e diversificada que faz a saudade bater à porta com razão, quase meio século depois.

A Independência chegou chegando, é orgulho nacional, palpita no coração dos bons cidadãos, o tempo não para, a cada dia que passa, nasce no horizonte um novo amanhã.

 

Por: João Rosa Santos

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