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Contos D’outros Tempos:Pequeno grande – Vidas de Ninguém (XVI)

Domingos Bentopor Domingos Bento
20 de Março, 2026
Em Opinião
DR

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Zequinha era o filho caçula da família, o que fechou o ventre da tia Conceição, mas era o mais grosso, o que defendia os irmãos e os pais das confusões do bairro. Ele não gostava de confusão, mas também não poupava quem tirava a sua paz ou a da sua família. Com os seus músculos grossos, peito forte, 1,60 metro de altura e 220 quilos de peso, Zequinha era o moço mais temido no bairro. Todos fugiam quando ele chegava para lutar ou espancar alguém que tirava o seu sossego.

Devido ao seu ser forte, Zequinha chamava a atenção de todas as moças. Para além de se sentirem protegidas e atraídas, devido ao seu porte físico, as moças pensavam que ele também tinha a mesma força no silêncio das quatro paredes. Mas, apesar de ser tão querido pelas moças, Zequinha evitava relacionar-se com elas, uma atitude que levantava fortes suspeitas e admiração.

Ele fugia sempre que recebia visitinhas das mocinhas que mostravam interesse pelos seus atributos físicos. A Belucha, a sua sobrinha mais velha, filha da mana Bia, é que dava recado às moças, mentindo que não estava. Quando elas insistiam, Zequinha pulava pela janela do seu quarto, que dava para o quintal do Tinocas da Candimba, que vivia sozinho depois de perder a Helena, a mulata do bairro Operário que foi morar no nosso bairro em 1997.

Do quintal do Tinocas da Candimba, Zequinha metia-se a correr até à Praça das Condutas e só regressava de madrugada, andando pelos cantos para não ser visto pelas moças que, diae noite, imploravam pelo seu amor. — Mas esse Zequinha anda então a nos fugir por quê? Nós, assim, mesmo bem gostosas, é para ele nos fugir tipo temos doença de lepra? — comentavam as moças que iam procurá-lo em casa. Tia Conceição também não entendia por que motivo o filho fugia das moças.

Algumas, inclusive, ela já havia tirado as medidas para serem noras, tipo a Kindele, a Muenha e a Nazaré, filha do Tio Canjila, da Rua do Digoná Cego, que, apesar de não ver, acompanhou o crescimento de todas as miúdas. E a Nazaré era uma das miúdas de que ele gostava muito devido à invejada educação dada pelo Tio Canjila.Para além da educação elogiável de se tirar o chapéu, Nazaré tinha tudo para fazer levantar a família debaixo de qualquer homem.

O volume da mbunda, que teimava em ficar mesmo depois de o resto do corpo já ter feito a curva, os seus duros lábios carnudos e olhos grossos não deixavam indiferente qualquer homem que cruzasse o seu caminho. Mas, mesmo assim, o Zequinha fugia da moça. Coitadinha, que até era virgem, guardava a pureza para ele sangrar, mas o tipo nem sabia o valor de uma mulher casta, que não se encontra por aí a qualquer esquina, ainda mais no tempo em que o sexo ficou mais corriqueiro do que a água.

Por isso é que a tia Conceição, conhecendo o valor da filha alheia, fez questão de fazer tudo para que ela ficasse com o Zequinha. Mas todo arranjo era pouco até que, num certo dia, enquanto o Zequinha estava a tomar banho, a tia Conceição escondeu a Nazaré no quarto dele. Como já era tudo combinado, a moça apareceu com roupas miúdas, completamente cheirosa, superlimpa e se escondeu no canto da cama para, assim que ele entrasse, fazerem a festa. Tudo preparado e combinado. Enquanto o Zequinha caminhava da casa de banho para o corredor da sala, o coração da tia Conceição palpitava mais forte. Era o dia mais feliz, porque, finalmente, estava tudo preparado para Nazaré ter o passe livre de nora.

E esta, por sua vez, não via o momento de o Zequinha entrar para o quarto e juntos carimbarem a relação com o vermelhinho da pureza da sua virgindade. Ao entrar para o quarto, Zequinha atirou a toalha em cima da cama, enquanto passava o creme no corpo. Ao ver o tronco do homem nu, Nazaré não mais esperou. Saiu do esconderijo e jogou-se no corpo de Zequinha. Habituado a fugir, naquele dia ele não podia, porque estava nu e a tia Conceição já tinha fechado a porta na parte de fora com cadeado. Nada mais restava ao homem senão entregar-se a Nazaré, que já estava completamente despida e com os desejos a queimar a pele.

Mas, trinta minutos depois, a moça implorou que fosse retirada imediatamente do quarto. Tão logo a tia Conceição abriu a porta, Nazaré saiu a correr, aos choros, com a alma amarga e completamente desiludida, porque, afinal, o tamanho do corpo do Zequinha era desproporcional ao que ele carrega embaixo das pernas. É que, para além de ser minúsculo demais, a coisa debaixo nem sequer funcionava, nem mesmo depois de muitas tentativas e excitação feitas pela Nazaré.

A vergonha que a tia Conceição passou a carregar na cara atingiu-lhe as pernas também. Coitadinha da senhora, nem saía mais à rua, porque toda a gente já sabia que os anabolizantes que o seu filho Zequinha tomava para ser caenche roubaram-lhe a força de que precisa para ser um grande homem no seu verdadeiro sentido.

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