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Contos d’outros tempos: O preço da vergonha – Vidas de Ninguém (XVIII)

Domingos Bento por Domingos Bento
3 de Abril, 2026
Em Opinião
DR

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O sol abrasador assolava aquela tarde de Domingo na povoação do Sassa, onde o cheiro verde do mato foi afogado pelo aroma da carne seca fumada com moamba de ginguba que saia do quintal da Avó Luemba, que vivia a poucos metros da picada de terra batida que dava ao asfalto principal.

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Uns saiam da igreja, outros da lavra e tantas dezenas de pessoas caminhavam em direccção ao mercado do Sassa para vender e comprar mercadorias que entravam e saiam do Ucua para o Uíge, Caxito e Mabubas. Quem caminhava pela picada para alcançar o asfalto, empanturravam-se com o delicioso cheiro da carne do veado que tinha sido caçado e abatido meses antes. No quintal, a esteira estava estendida à sombra do luando.

O sogro, a Avó Luemba e os genros, maridos da Lindinha, da Fefinha e da Epalanga já estavam preparados para atacar a tigela com o molho acastanhado da moamba e os pedaços do veado que se escondiam debaixo do suculento líquido pegajoso e consistente sob a força dos quiabos e da beringela que dias antes Avó Luemba tinha recolhido da sua pequena horta. Também o funje quente, colocado na única tigela de vidro que a Avó Luemba tinha em casa, não deixava ninguém quieto.

Eram metades cortadas de um lado para o outro pelos genros que mergulhavam o funge no molho entre seguidas garfadas, enquanto as esposas todas saboreavam mesmo o almoço com as mãos, lambendo os dedos com a total liberdade e a vontade típica de quando se está em casa da mãe, no meio de fofocas e risadas que abafavam o quintal todo. — Mano Chitendo, encosta, come um pouco, a comida está boa! — insistia o marido da Epalanga, entre uma garfada e outra. Chitendo estava cercado por uma vergonha que não lhe permitia encostar aos outros concunhados para comer.

Marido da Belmira, ele queria passar a imagem de um homem fino e da cidade, que não se juntava com os sogros, cunhadas e concunhados. — Muito obrigado, família, mas estou cheio. Comi muito antes de sair de casa, estou mesmo repleto. — Mentia Chitendo, enquanto o cheiro da carne de veado deixava-lhe inquieto e com uma vontade louca de atacar. Belmira, a sua esposa, ainda tentou convencê-la, mas o homem, por vergonha e orgulhou, tentou manter a sua posição de um homem do asfalto que nãose misturava com a gente do musseque. — “Chitendo, meu amor, come só um pouco, não me faça envergonhar diante da família!

A mamã preparou esse almoço com muito carinho…” Mas ele manteve firme a sua hipocrisia, enquanto ardia de fome e morria por dentro com o cheiro da carne: — “Não consigo, amor. Estou mesmo cheio, de verdade.” O almoço prosseguia com risos e muita conversa. Quando tudo estava mais animado, Chitendo levantou-se devagar, alegando que precisava de ir à casa de banha que ficava na parte traseira da casa. Enquanto seguia, Chitendo não foi para a casa de banho. Lá no fundo do quintal, viu o pilau de madeira onde a moamba tinha sido preparada. O resto do molho e uns pedacinhos do veado ainda estavam lá no fundo.

Chitendo olhou para um lado, olhou para o outro… Entretanto, não hesitou. Abaixou-se e enfiou a cabeça no pilau para lamber até o último resto de moamba. O sabor era extraordinário, mas a tragédia foi rápida: ao tentar puxar a cabeça de volta, as orelhas travaram. O pilau, feito de madeira maciça, tinha decidido que o genro vergonhoso não sairia dali tão cedo. O pânico bateu. O oxigênio começou a faltar e a vergonha anterior não era nada comparada ao que estava por vir. — “Socorro! Socorro! Alguém me ajude!” — gritava Chitendo, com a voz abafada pelo eco da madeira.

A família toda correu para ver o que estava a acontecer. A cena era inacreditável: o genro que “estava cheio” tinha agora a cabeça servida como prato principal dentro do pilau da sogra. O sogro, as cunhadas Lindinha, Fefinha e Epalanga não acreditaram no que estavam a ver. Já a Avó Luemba, preocupada, entrou em pânico. Precisaram de óleo de jiboia e muita paciência para tirar a cabeça do Chitendo do pilau. Quando finalmente saiu, todo borrado, Chitendo correu até à estrada principal, onde pegou o táxi até ao bairro Oito, onde vivia com a sua amada Belmira, que morria de vergonha pelo acto do marido.

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